domingo, 2 de agosto de 2026

DIRIGENTES E ASSESSORES DA FIFA ENTREGAM CARGOS DEVIDO AO PRESIDENTE GIANNI INFANTINO QUERER VENDER DIREITOS DIREITOS DA COPA A INVESTIDORES

Crise na FIFA: principal assessor de Infantino renuncia em protesto contra venda de direitos da Copa

Carlos Cordeiro, ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA, renunciou ao cargo de assessor principal da FIFA em meio à crise com a UEFA. Em carta aberta, o executivo afirmou que a proposta de venda de direitos da Copa “não faz sentido” e destacou que a entidade já possui “bilhões em reservas”.

A crise nos bastidores da FIFA ganhou um novo capítulo de peso com a renúncia de Carlos Cordeiro, um dos principais assessores diretos do presidente Gianni Infantino. Em carta aberta publicada no LinkedIn, Cordeiro afirmou que não poderia “ficar de braços cruzados” diante do plano da entidade de vender participações nos direitos da Copa do Mundo a investidores privados.

O ex-presidente da Federação Norte-Americana de Futebol (US Soccer, 2018–2020) classificou o plano como:

“Um mau acordo para as federações-membro, um mau acordo para o futebol e um mau acordo para o futuro a longo prazo deste esporte.”

Argumentos contra a privatização de direitos

Com mais de 35 anos de experiência no setor bancário, Cordeiro rebateu a tese de Infantino ponto a ponto. Segundo ele, a FIFA já conta com um caixa extraordinário para financiar o desenvolvimento do futebol global sem depender do capital privado.

Reservas bilionárias:“A FIFA já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. Conta com bilhões de dólares em reservas e não tem dívida alguma. O próprio presidente destacou os US$ 15 bilhões de receita gerados no ciclo de 2022 a 2026.”

Decisão injustificada:“Neste contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões não faz sentido. É hipotecar o futuro do esporte sem justificativa convincente.”

Falta de transparência e ultimato às federações

O ex-assessor também criticou duramente a pressa e a falta de clareza da entidade, revelando que as federações têm apenas 50 dias para tomar uma decisão sob a ameaça de “ficarem para trás”.

“As perguntas mais preocupantes seguem sem resposta: por que este acordo? Por que agora? Quais mecanismos de supervisão existem? Quem se beneficia? Houve um processo competitivo? Qual sistema de governança será estabelecido?”, questionou Cordeiro.

Bastidores e peso político

Oficializado em setembro de 2021 como Assessor Principal da FIFA para Estratégia e Governança Global, Cordeiro foi uma figura central na articulação da candidatura tripartite (EUA, Canadá e México) para a Copa do Mundo de 2026. Em novembro de 2025, o executivo chegou a integrar a comitiva da FIFA na Casa Branca ao lado de Infantino, do presidente Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio.

Ao se despedir após mais de cinco anos de colaboração com a FIFA, Cordeiro incentivou outros cartolas e dirigentes a “levantarem a voz” contra o projeto. A decisão esquenta o clima para as próximas eleições presidenciais da entidade, marcadas para 2027, nas quais Gianni Infantino tentará novo mandato.

Fonte: Gazeta Brasil



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