domingo, 1 de fevereiro de 2026

EFEITO DAS ESCOLHAS DE DONALD TRUMP: OURO TEM SUA MAIOR QUEDA DE PREÇO DESDE O ANO DE 1983

Ouro despenca e tem maior queda diária desde 1983

O preço do ouro despencou nesta sexta-feira, registrando sua maior queda diária desde 1983, após o anúncio do presidente Donald Trump sobre sua escolha para a presidência do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos: Kevin Warsh.

O ouro à vista recuou 9,5%, sendo negociado a US$ 4.883,62 por onça às 18h57 GMT, depois de atingir um recorde histórico de US$ 5.594,82 na quinta-feira e chegar a cair até 12% durante o dia.

Os contratos futuros de ouro para entrega em fevereiro caíram 11,4%, cotados a US$ 4.745,10. A última vez que o ouro sofreu uma queda semelhante foi em 28 de fevereiro de 1983, com recuo de 12,1%.

A venda massiva também atingiu outros metais preciosos, em meio ao que analistas classificaram como uma realização acelerada de lucros. Suki Cooper, diretora global de pesquisa em commodities do Standard Chartered Bank, apontou que a correção pode ser explicada por uma combinação de fatores, incluindo o anúncio sobre a presidência do Fed e fluxos macroeconômicos mais amplos. Cooper acrescentou que tanto o comportamento do dólar quanto as expectativas de rendimento real contribuíram para desencadear a realização de lucros.

O impacto se estendeu à prata, que teve queda de 28%, sendo negociada a US$ 83,99 a onça, após atingir mínima intradia de US$ 77,72. Na quinta-feira, a prata havia alcançado seu recorde histórico de US$ 121,64. Segundo os dados disponíveis, trata-se da maior queda diária já registrada para este metal. O platina perdeu 19,2%, chegando a US$ 2.125 por onça, enquanto o paládio despencou 15,7%, cotado a US$ 1.682.

Apesar da forte queda desta sexta-feira, o ouro acumulou avanço superior a 13% em janeiro, marcando seu sexto aumento mensal consecutivo. Já a prata apresentou alta de mais de 17% no mesmo período.

Nos mercados de câmbio, o dólar se fortaleceu de forma significativa. O Bloomberg Dollar Spot Index subiu 0,9%, registrando sua maior alta diária desde julho e se apreciando frente a todas as principais moedas. A valorização do dólar foi impulsionada pelo colapso dos metais preciosos e pelo anúncio de Trump de que indicará Kevin Warsh, ex-governador do Fed, como sucessor de Jerome Powell à frente do banco central a partir de maio. Warsh é visto pelos operadores como mais propenso a conter pressões inflacionárias, o que poderia resultar em política monetária favorável ao dólar.

O salto do dólar impactou especialmente moedas atreladas ao desempenho dos metais preciosos, como o dólar australiano, o franco suíço e a coroa sueca, que lideraram as perdas entre as moedas do Grupo dos 10. Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, comentou que “os mercados estão inquietos” e que a tendência de desvalorização do dólar foi momentaneamente interrompida, embora não necessariamente de forma definitiva.

Fonte: Reuters e Bloomberg


Nenhum comentário: