domingo, 21 de setembro de 2025

ARTIGO DO JORNALISTA E PUBLICITÁRIO BRUNO OLIVEIRA

A força da cauda longa na comunicação política

Confira o artigo de Bruno Oliveira

Na comunicação e no marketing, a teoria da cauda longa descreve o movimento de sair do foco nos produtos mais vendidos para explorar nichos que, somados, representam um mercado tão ou mais valioso do que o das massas. No universo político, esse conceito nunca foi tão atual. Se antes a comunicação era feita para grandes blocos da sociedade, hoje a tecnologia permite falar de forma cirúrgica com públicos específicos, transformando o que era genérico em personalizado.

Durante décadas, campanhas eleitorais se apoiaram em mensagens amplas e homogêneas, repetidas à exaustão na televisão e no rádio. O objetivo era atingir o maior número de pessoas com um discurso único, quase como se o eleitor fosse um consumidor de um produto “tamanho único”. A lógica era simples: quem falasse para todos, ganharia mais espaço. Mas o digital mudou radicalmente esse cenário.

As ferramentas de tráfego pago permitiram que campanhas eleitorais se tornassem verdadeiras máquinas de segmentação. O que alguns chamam de campanhas “inchadas” de anúncios não é apenas volume: é inteligência. Hoje, é possível direcionar mensagens distintas para públicos com interesses, idades, localidades e até comportamentos online diferentes. Um mesmo candidato pode falar de transporte público para o estudante universitário, de oportunidades de emprego para o trabalhador da periferia e de investimentos em inovação para o jovem empreendedor. Todos recebem uma mensagem que toca diretamente a sua realidade.

Essa personalização não é apenas um detalhe técnico, mas uma mudança de paradigma. Na política, o discurso genérico já não mobiliza como antes. O eleitor conectado espera relevância. E relevância, nesse contexto, significa falar a língua dele, reconhecer seus problemas específicos e apresentar soluções que façam sentido no seu cotidiano. Quem insiste em mensagens únicas, na esperança de atingir a massa, acaba se tornando irrelevante no meio do ruído digital.

Ao explorar a cauda longa, a comunicação política amplia suas chances de engajamento real. Em vez de apostar todas as fichas em um grande “produto” de campanha, a estratégia passa a ser entregar muitas versões ajustadas, cada uma delas capaz de gerar identificação e confiança em segmentos distintos. É uma lógica que requer mais trabalho, análise de dados e criatividade, mas que deve resultar em resultados eleitorais consistentes.

No cenário atual, a comunicação política que ignora a cauda longa corre o risco de falar sozinha. O digital não substituiu a necessidade de mensagens amplas, mas deixou claro que o diferencial está em oferecer o específico. Porque, em campanha, quem insiste no genérico se perde na multidão. Já quem entende a força da personalização encontra eco, conquista nichos e transforma cada clique em voto.

Fonte: Bruno Oliveira - AgoraRN



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