Encontro em Brasília fragiliza versão de Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse
Mensagens mostram cobrança por celeridade em pagamentos para o filme sobre Jair Bolsonaro, remessa de US$ 2 milhões para fundo no Texas e desgaste do pré-candidato do PL nas pesquisas
A descoberta de um encontro presencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma mansão alugada em Brasília, acrescenta um novo elemento à Operação Compliance Zero e fragiliza a versão apresentada pelo pré-candidato à Presidência sobre sua relação com o financiador do filme Dark Horse.
Até então, Flávio admitia publicamente uma reunião posterior, realizada em São Paulo, apresentada por ele como uma tentativa de “dar um ponto final” nas negociações envolvendo R$ 134 milhões para o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. A nova informação, revelada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, indica que houve ao menos outro encontro presencial entre os dois, no primeiro semestre de 2025, sem testemunhas, em uma mansão alugada por Vorcaro na capital federal.
A informação altera o peso político da defesa. O encontro em Brasília ocorreu antes da reunião assumida por Flávio em São Paulo e reforça a necessidade de esclarecimentos sobre a extensão da relação entre o senador, sua família e o banqueiro investigado. O imóvel, segundo a coluna, era usado por Vorcaro para receber nomes do meio político e institucional.
Pré-campanha sob pressão
O escândalo também atingiu a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisa Datafolha divulgada em 20 de junho mostrou Lula à frente do senador nos cenários de primeiro e segundo turno. No primeiro turno, Lula aparece com 41%, contra 31% de Flávio. Em eventual segundo turno, o presidente marca 47%, contra 43% do pré-candidato do PL.
A rejeição de Flávio também segue elevada. Segundo o levantamento, 48% dos eleitores afirmam que não votariam no senador de jeito nenhum. O índice ajuda a medir o impacto político do caso Dark Horse, que deixou de ser apenas uma controvérsia sobre financiamento privado de um filme e passou a integrar a disputa eleitoral em torno do Banco Master.
Em nota, a defesa de Flávio sustenta que o patrocínio privado foi solicitado quando não pesavam suspeitas contra Vorcaro. Também afirma que o contrato era estritamente privado e que não houve contrapartida política. A versão, no entanto, passou a enfrentar novo desgaste com a revelação do encontro anterior em Brasília e com a sequência de documentos, mensagens e registros financeiros que aproximam a produção do filme do entorno familiar e político do senador.
O caso reúne ingredientes que a Polícia Federal ainda tenta organizar: reuniões reservadas, pressões por pagamento, remessas internacionais, atuação de aliados políticos e o financiamento de uma peça audiovisual sobre Jair Bolsonaro em meio à construção da pré-candidatura do filho. A cada novo documento, a história deixa menos espaço para a tese de contato pontual e amplia a pressão por explicações.
Fonte: fpabramo.org.br

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