quinta-feira, 19 de março de 2026

SEMAGLUTIDA: : COM A QUEDA DA PATENTE EM MARÇO AS CANETAS 'GENÉRICAS' PODERÃO CHEGAR ÀS FARMÁCIAS COM PREÇOS MAIS ACESSÍVEIS

Fim da patente do Ozempic no Brasil abre caminho para genéricos mais baratos

Decisão judicial impede farmacêutica de prorrogar monopólio; laboratórios já se preparam para lançar versões similares da semaglutida

A exclusividade da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, chega ao fim no Brasil nesta sexta-feira (20) por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corte negou um pedido de prorrogação feito pela farmacêutica Novo Nordisk e manteve o limite legal de 20 anos de proteção. Com a entrada da substância em domínio público, laboratórios concorrentes ficam autorizados a produzir e comercializar versões genéricas e similares do medicamento, o que deve estimular a concorrência e baratear o tratamento no país.

O mercado farmacêutico estima que os novos genéricos cheguem às farmácias com preços de 35% a 59% menores em comparação ao produto de referência. A queda nos valores, contudo, não será imediata. As empresas interessadas em fabricar a semaglutida ainda precisam submeter suas fórmulas a testes de bioequivalência e obter a aprovação de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de eventualmente enfrentar disputas jurídicas sobre patentes secundárias ligadas ao processo de fabricação.

O fim do monopólio da farmacêutica dinamarquesa segue um entendimento já consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a prorrogação automática de patentes justificada por atrasos nas análises do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Especialistas em propriedade intelectual avaliam que a decisão do STJ reforça a segurança jurídica do setor de saúde brasileiro, impedindo o prolongamento indevido de exclusividades que encarecem e dificultam o acesso da população a terapias essenciais.

Originalmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, o Ozempic tornou-se um fenômeno global de vendas devido ao seu efeito no controle da obesidade. A quebra da patente e a consequente redução de custos abrem caminho para a democratização do acesso ao tratamento, aquecendo inclusive as discussões sobre uma possível incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS) no futuro. Médicos ressaltam, no entanto, que o uso da substância exige prescrição e acompanhamento rigoroso para evitar riscos à saúde.

Fonte: TN Online



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