sexta-feira, 13 de março de 2026

PESQUISADORES DESCOBREM QUE SURGIMENTO DE CABELOS BRANCOS PODE SER MECANISMO DE DEFESA CONTRA CÂNCER

A descoberta da ciência sobre cabelos brancos que pode salvar vidas

Um estudo científico publicado na revista Nature Cell Biology indica que o surgimento de cabelos grisalhos pode estar ligado a um mecanismo natural de defesa do organismo contra o câncer. Segundo os pesquisadores, o embranquecimento dos fios pode sinalizar que o corpo está combatendo mutações nas células responsáveis pela pigmentação do cabelo, que em alguns casos poderiam evoluir para melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Tóquio, que analisaram o comportamento de células em camundongos. O estudo observou que células-tronco presentes nos folículos capilares — chamadas células-tronco de melanócitos, responsáveis por gerar os melanócitos que dão cor ao cabelo e à pele — podem se “desligar” quando detectam danos no DNA capazes de provocar crescimento celular descontrolado.

Esse processo, conhecido como senescência celular, faz com que as células parem de se dividir permanentemente, interrompendo um possível desenvolvimento de câncer. Como consequência, os fios deixam de receber pigmentação e passam a crescer grisalhos.

De acordo com a professora Emi Nishimura, especialista em envelhecimento e regeneração que liderou a pesquisa, o aparecimento de cabelos brancos e o desenvolvimento do melanoma estão ligados à mesma resposta de estresse celular. A diferença é que, nos folículos capilares, as células conseguem identificar os danos no DNA e interromper sua atividade antes que o câncer se desenvolva.

Os cientistas destacam que esse mecanismo pode ser importante porque células-tronco alteradas podem migrar para camadas superiores da pele e dar origem ao melanoma maligno, que tem potencial de se espalhar pelo corpo.

Possíveis avanços na prevenção do câncer

A equipe de pesquisadores agora pretende investigar se o mesmo mecanismo ocorre em humanos. Se confirmado, o conhecimento sobre esse processo pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção ou tratamento do melanoma.

A senescência celular não ocorre apenas nos folículos capilares. O processo também é observado em órgãos como pele, intestino e pulmões. Durante a cicatrização, por exemplo, o organismo interrompe a atividade de células de reparo após o fechamento de um ferimento para evitar cicatrização excessiva.

Pintas na pele também podem ser um exemplo desse fenômeno. Segundo a bióloga celular Dot Bennett, da Universidade St George’s de Londres, elas surgem quando melanócitos que sofreram mutações potencialmente cancerígenas interrompem seu crescimento. Em alguns casos, no entanto, essas células podem voltar a se dividir e se tornar malignas.

Pesquisadores investigam atualmente como algumas células conseguem escapar da senescência e retomar a multiplicação. Entender esse processo poderia abrir caminho para terapias que forcem células perigosas a interromper novamente sua atividade, reduzindo o risco de câncer.

Exposição ao sol pode alterar resposta celular

Outro ponto analisado pelo estudo foi o impacto da radiação ultravioleta. Os cientistas observaram que, quando células do folículo capilar foram expostas à luz UV, o mecanismo protetor não foi ativado.

Nesse caso, as células continuaram a se dividir, o que pode aumentar o risco de formação de melanoma. Segundo os pesquisadores, isso ocorre porque a radiação estimula a liberação de uma proteína chamada KIT-ligand, que bloqueia o sinal responsável por desligar as células danificadas.

Cautela na interpretação dos resultados

Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que as conclusões devem ser interpretadas com cautela. O professor Desmond Tobin, cientista dermatológico do University College Dublin, destaca que o estudo foi realizado em camundongos, cujo ciclo de crescimento capilar é diferente do observado em humanos.

Nos roedores, milhares de folículos capilares entram em crescimento simultaneamente a cada poucas semanas, o que faz com que as células-tronco de melanócitos se dividam com maior frequência.

O pesquisador também ressalta que o melanoma em humanos costuma ser diagnosticado entre 60 e 70 anos, período em que a maioria das pessoas já apresenta cabelos grisalhos. Além disso, o melanoma no couro cabeludo é relativamente raro, representando cerca de 2% a 5% dos casos de câncer de pele.

Mesmo assim, os cientistas acreditam que compreender melhor o comportamento das células dos folículos capilares pode trazer novos avanços na prevenção da doença no futuro.

Fonte: Gazeta Brasil



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