terça-feira, 14 de maio de 2019

131 ANOS APÓS A LEI ÁUREA, NEGROS SEGUEM À MARGEM DO MERCADO DE TRABALHO

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OS NÚMEROS DO RACISMO ESTRUTURAL NO PAÍS DEVEM SER QUESTIONADOS ATIVAMENTE PELOS EMPREGADORES, DIZEM ESPECIALISTAS

O 13 de maio de 1888 poderia ser uma data lembrada pelos bons frutos que deixou, já que marca o dia da assinatura que acabou com a escravidão no Brasil. Poderia. A Lei Áurea tinha apenas um parágrafo e nenhuma maneira de dar oportunidades aos ex-escravos do País. O martírio continuaria.

Passados 131 anos, a maioria da população brasileira ainda encontra barreiras de difícil transposição, independente de onde estiverem no cenário social do País. “Eu achava antes que, quanto mais eu ascendesse, menos eu iria vivenciar essa questão. Porém, quanto mais eu subo, mais eu estou em espaços raros para negros e sinto estranhamento das pessoas na minha presença”, comenta Liliane Rocha, mestra em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da Consultoria Kairós, especializada em promover sustentabilidade e diversidade no ambiente empresarial.

Segundo pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de 2018, o mercado de trabalho absorve profissionais negros para áreas tradicionalmente com rendimentos mais baixos, o que faz com que essa parcela receba, em média, 69,3% do rendimento de não negros.

Por mais que o debate esteja cada vez mais em destaque – para o incômodo da massa conservadora que governa o País -, ainda são poucas as empresas que pensam em políticas de diversidade para o quadro de funcionários. De acordo com a pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas, feito pelo Instituto Ethos em 2016, o assunto ainda é incipiente na prática.


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