Lula desafia Flávio e PL a apoiarem fim da escala 6×1: “Chegou o dia D”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou nesta quarta-feira (7) a pressão política sobre o adversário no segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), ao desafiar o senador e a bancada do PL a apoiarem no Senado a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1.
Durante conversa com jornalistas na Casa de Campanha, em Brasília, Lula classificou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) como um teste para o posicionamento do partido de Flávio sobre a redução da jornada de trabalho.
“Estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala”, afirmou o presidente.
Lula foi além e vinculou diretamente a decisão da bancada do PL à postura de Flávio Bolsonaro, seu adversário na disputa pela Presidência.
“Agora chegou o dia D. Porque o meu adversário vai ter que tomar uma decisão, se ele vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da jornada de trabalho seis por um”, declarou.
A estratégia coloca a tramitação da PEC no centro da disputa política do segundo turno. Ao direcionar a cobrança diretamente a Flávio, Lula busca associar o posicionamento dos senadores do PL sobre a proposta à candidatura presidencial do adversário.
O presidente também acusou integrantes do partido de tentarem impedir o avanço da matéria. “Pelo que eu fui informado, eles estão tentando atrapalhar a votação para que essa votação não aconteça”, disse.
A afirmação é uma acusação de Lula. Reportagens publicadas nesta semana apontam articulações de setores da oposição para dificultar o quórum da votação, enquanto Flávio Bolsonaro tem criticado a movimentação do governo em torno da proposta e classificado a iniciativa como eleitoralmente oportunista.
Lula diz confiar em votação no Senado
Além de pressionar o PL, Lula afirmou acreditar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), levará a PEC à votação.
“Estamos numa expectativa muito grande. Eu estou confiante que o presidente Alcolumbre vai colocar em votação. Estou confiando que o Senado vai repetir a decisão que já foi tomada pela Câmara”, declarou.
Alcolumbre afirmou que pretende cumprir integralmente o rito constitucional e que a matéria será deliberada. A PEC começou a ser discutida no plenário do Senado nesta terça-feira (6) e precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno.
A proposta já passou pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Na comissão, o parecer favorável foi aprovado em setembro. Entre os votos contrários ao relatório estavam os dos senadores Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
O que prevê a PEC
A PEC 221/2019 reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal de trabalho, sem redução salarial, e estabelece dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Para ser aprovada no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis (três quintos dos 81 senadores) em dois turnos. Antes do primeiro turno, são necessárias cinco sessões de discussão. Caso seja aprovada, outras três sessões antecedem a votação em segundo turno.
Fonte: Portal 98 FM

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