O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, na qualidade de guardião da memória e protetor do patrimônio histórico do estado, requereu, através de ofício enviado à Fundação José Augusto (FJA) em agosto deste ano, o tombamento da Casa Grande do Barão de Ceará-Mirim. O prédio secular data de 1857 e foi a residência de Manoel Varela do Nascimento (1803-1881), agraciado com o título de Barão de Ceará-Mirim por Decreto Imperial de 1874.
Considerada um marco arquitetônico do século XIX do Vale do Ceará-Mirim, a edificação está ligada à história econômica e social da região, destacada pela produção açucareira, responsável pelo desenvolvimento local no período áureo do ciclo da cana-de-açúcar. Situada no sítio histórico localizado na Usina São Francisco, antigo Engenho São Francisco, é propriedade privada de um grupo que pretende demolir a construção.
O casarão é um documento vivo do período do auge da economia da região. Construído no estilo neoclássico, tem valor arquitetônico, artístico e tecnológico da época. Apesar de estar em estado avançado de degradação estrutural e tendo passado por um incêndio em 2025, sua demolição seria um apagamento irreversível da memória coletiva e da identidade local.
O tombamento é um ato administrativo do poder público que visa proteger bens de valor histórico, cultural, arquitetônico ou paisagístico, proibindo sua destruição ou descaracterização. Uma vez acatado pela Fundação José Augusto, o processo é remetido ao Conselho Estadual de Cultura, que encaminha parecer à Secretaria da Educação e Cultura do RN.
A iniciativa da solicitação acontece em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM) e o Instituto Histórico e Geográfico de Macaíba (IHMRN), instituições congêneres que participaram das reuniões e da assinatura do documento. As entidades pretendem apurar pedidos anteriores deste mesmo tombamento, reforçando o argumento e o clamor social da pauta.
Texto: Marcela Bulhões
Fonte: www.ihgdorn.blogspot.com


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