Obra do saudoso Etewaldo Santiago, Frei Damião no largo do Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Ceará-Mirim
Existem monumentos que ocupam um espaço na cidade. Outros ocupam também um espaço na memória de seu povo.
Ao lado do Santuário da Imaculada Conceição, no coração de Ceará-Mirim, está o Largo Frei Damião, inaugurado em 12 de setembro de 1983, durante a administração do prefeito Dr. Roberto Pereira Varela, em homenagem aos 60 anos de sacerdócio do frade.
Mas existe um detalhe que merece ser contemplado: as mãos por trás daquela obra.
O monumento foi criado por Etewaldo Cruz Santiago, artista nascido em Assú, em 1939, que fez de Ceará-Mirim sua casa e se tornou referência da escultura popular potiguar.
Etewaldo não esculpiu apenas a figura de Frei Damião. Ele transformou em arte uma memória coletiva.
Frei Damião marcou gerações através de suas missões e da religiosidade popular. Décadas depois, pelas mãos do artista, essa memória ganhou forma.
O barro encontrou a fé.
A arte encontrou a história.
E a memória ganhou um rosto.
Ao redor desse monumento passaram festas da padroeira, crianças, famílias, missas, novenas, quermesses, serestas e tantas histórias da nossa gente.
Por isso, da próxima vez que passar pelo Largo Frei Damião, olhe novamente.
Olhe para o frade, mas olhe também para os detalhes e para as mãos de Etewaldo Cruz Santiago.
Porque preservar uma obra é preservar o artista, o seu tempo e a história que continuará sendo contada quando nós já não estivermos aqui.
Ceará-Mirim possui artistas que escreveram sua história sem papel ou caneta.
Etewaldo escreveu parte dela com as próprias mãos.
Talvez seja hora de aprendermos a ler essas obras.
Blog 30zero7


Nenhum comentário:
Postar um comentário