Ministério Público vê “esquema organizado” de pesquisas fraudulentas que puseram Álvaro Dias na liderança
Parecer aponta irregularidade nas sete pesquisas favoráveis ao candidato do PL e pede investigação da Polícia Federal
O Ministério Público Eleitoral (MPE) identificou indícios de um “esquema organizado de produção e divulgação de pesquisas fraudulentas” em levantamentos que colocaram Álvaro Dias (PL) na liderança da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. A conclusão consta em parecer juntado a um processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN).
Assinado pelo procurador eleitoral auxiliar Kleber Martins de Araújo, o documento sustenta que as irregularidades não estariam restritas a uma pesquisa. Ao analisar levantamentos registrados entre abril e julho, o MPE afirma ter identificado a repetição de problemas metodológicos, a participação recorrente dos mesmos profissionais e possíveis conexões entre institutos e empresas contratantes.
Foram registradas 26 pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Estado entre 3 de abril e 13 de julho. Desse total, 19 apontaram Allyson Bezerra (União) na liderança e sete colocaram Álvaro à frente. O parecer afirma que todas as sete favoráveis ao candidato do PL apresentariam irregularidades documentadas, envolvendo os institutos Veritá, PNH/Affare, Consult, Ipsensus e Média.
Entre os elementos comuns, o Ministério Público destaca problemas relacionados à distribuição dos entrevistados por renda e a atuação do estatístico Augusto da Silva Rocha e do empresário Thales da Silva Vale, sócio-administrador do instituto Média. O parecer ressalta que Rocha foi suspenso por 12 meses pelo Conselho Regional de Estatística em 2023 e chegou a responder por 937 pesquisas em uma única campanha. Sobre Thales, afirma que ele ocupou cargo comissionado em um gabinete de comunicação municipal vinculado ao pré-candidato beneficiado pelos levantamentos que inverteram a liderança.
Para o MPE, a reunião desses elementos “indicia a existência de esquema organizado de produção e divulgação de pesquisas fraudulentas destinadas a influenciar a formação da vontade do eleitorado”. O órgão acrescenta que o caso recomenda uma “apuração em amplitude máxima”.
Fonte: AgoraRN

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