domingo, 23 de agosto de 2026

SENADO FEDERAL APROVA PROPOSTA DE EMENDA CONSTITUCIONAL QUE CRIA APOSENTADORIA ESPECIAL PARA AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE

Senado aprova PEC que reduz idade mínima de aposentadoria para agentes de saúde

PEC, considerada 'pauta-bomba' pelo governo, concede aposentadoria antecipada a agentes comunitários; impacto é de R$ 27,9 bilhões

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (14), por 73 votos a 1, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede aposentadoria antecipada a agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. A equipe econômica do governo Lula classifica a matéria como uma "pauta-bomba", pelo impacto de mais de R$ 28 bilhões no déficit atuarial da Presidência.

A aprovação é considerada uma derrota para o governo, que pretendia adiar a deliberação sobre o tema, mas acabou liberando a bancada para votar a favor. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), comunicou que não votaria e reconheceu o impasse. "Todos nós sabemos que o tema tem implicações previdenciárias, na paridade. Mas o tempo calendário foi mais forte que o tempo político, então nos submetemos e nos curvamos a eles", afirmou.

Alcolumbre havia pautado inicialmente a matéria para 30 de junho, mas adiou a votação por cinco sessões. Na ocasião, rejeitou um requerimento assinado por 70 dos 81 senadores que pedia a votação da PEC em dois turnos já naquela data, e impôs a discussão em cinco sessões antes da votação em primeiro turno. "Eu quero cumprir meu compromisso, que é votar tudo (os dois turnos)", disse aos jornalistas na chegada ao Senado.

Segundo o texto da PEC, agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias terão direito à aposentadoria com idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, considerando tempo mínimo de contribuição e de exercício profissional de 25 anos. A regra vale tanto para o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), aplicável a servidores públicos, quanto para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo estimativas do Ministério da Previdência Social, apenas nos primeiros dez anos de vigência, a medida representa acréscimo de R$ 27,9 bilhões nos gastos dos dois regimes previdenciários, sendo R$ 17,6 do Regime Próprio (RPPS) e de R$ 10,3 do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Para os próximos 80 anos, o agravamento da insuficiência financeira pode ultrapassar R$ 54 bilhões.

A PEC segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional, o que pode acontecer ainda nesta semana.

Fonte: eixopolitico.com.br



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