RN precisa entrar no mapa logístico do Nordeste
O Plano Nacional de Logística 2050 lançado pelo governo federal precisa ser recebido no Rio Grande do Norte com atenção redobrada. O documento projeta R$ 1,225 trilhão em investimentos em infraestrutura até 2050 com recursos públicos e privados e define os grandes eixos que deverão orientar a expansão dos transportes no país. É um instrumento de planejamento de longo prazo e pode ser decisivo na posição que o RN ocupará na economia nordestina nas próximas décadas.
O Estado aparece no plano com a ferrovia Natal-Macau, intervenções nas BRs 101, 104 e 304 e a ampliação dos complexos portuários de Natal e Areia Branca. São obras importantes, mas a comparação com outros estados nordestinos mostra uma diferença que chama a atenção. Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí e Maranhão estão inseridos em corredores ferroviários, hidroviários e intermodais de maior alcance, com obras estruturantes que irão conectar áreas produtoras a grandes complexos portuários.
O RN corre o risco de permanecer excessivamente dependente das rodovias justamente quando o país busca diversificar sua matriz de transportes. Melhorias viárias são necessárias, mas insuficientes para sustentar o transporte de grandes volumes de carga a custos competitivos.
O Estado tem a fruticultura, que já é uma atividade exportadora relevante. A mineração de ferro e ouro começa a ganhar força no Seridó. O sal produzido na região salineira tem mercado externo garantido. A pesca tem grande potencial de crescimento. O turismo depende de boas conexões aéreas e terrestres. E a expansão das energias renováveis criou uma vantagem que pode atrair novos investimentos industriais.
O Porto Indústria Verde pode reforçar a inserção do Estado na economia da transição energética, mas seu impacto dependerá da integração com ferrovias, rodovias e demais corredores logísticos. Será necessário conectá-lo às áreas produtoras, aos centros consumidores e aos grandes corredores de transporte do Nordeste.
Como o PNL 2050 ainda será detalhado em planos setoriais, o RN tem a oportunidade de defender projetos mais alinhados ao seu potencial econômico e à estratégia logística nacional e, principalmente, demonstrar porque elas fazem sentido dentro da estratégia nacional.
A responsabilidade será do próximo governo estadual, que terá de assumir essa agenda desde o início do mandato. Mas o trabalho não pode ser atribuído apenas ao Executivo. A bancada federal precisa atuar em Brasília, enquanto universidades, entidades empresariais, municípios e organizações da sociedade civil devem contribuir para mobilizar a sociedade em busca de um planejamento racional para o crescimento da estrutura logística do Estado.
O PNL foi concebido para antecipar a infraestrutura necessária à economia das próximas décadas. Se a projeção econômica do RN mudar mais rapidamente que sua infraestrutura logística, o gargalo aparecerá justamente quando os novos investimentos começarem a chegar.
O principal desafio do RN no PNL 2050 é consolidar uma visão de longo prazo compatível com seu potencial econômico. Caso permaneça limitado às estruturas atuais, poderá apenas assistir à consolidação de corredores logísticos nos estados vizinhos. O momento de disputar uma posição melhor no mapa logístico nacional é agora, enquanto o desenho do PNL ainda está sendo transformado em planos e projetos.
Fonte: Tribuna do Norte

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