segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O ACORDO SEM FIM DO ESTREITO DE ORMUZ: IRÃ FAZ PACTO COM OMÃ E DEIXA ESTADOS UNIDOS DE FORA

Irã diz que fechou acordo com Omã para abrir o Estreito de Ormuz, mas impôs uma condição

O governo iraniano anunciou neste sábado (15) que fechou um entendimento com Omã para estabelecer uma rota segura de navegação no Estreito de Ormuz. As conversas entre os dois países continuam para resolver pontos pendentes e preparar uma declaração conjunta sobre o acordo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em entrevista à agência Defa Press que as negociações avançaram de forma positiva e que já houve acordo sobre o mapa da rota marítima. Baghaei evitou detalhar o traçado exato, mas indicou que as discussões prosseguem para fechar os termos finais e o texto da declaração conjunta de Teerã e Mascate.

Normalização condicionada ao cenário militar

A versão iraniana apresentou o acordo como um mecanismo bilateral e independente de qualquer negociação direta com Washington. Segundo as autoridades de Teerã, o objetivo é garantir o trânsito de navios pelo estreito com um esquema pactuado entre os dois Estados ribeirinhos. Baghaei sustentou que os contatos progrediram apesar do que descreveu como “obstruções” dos Estados Unidos.

O porta-voz iraniano, no entanto, vinculou a plena normalização do tráfego comercial na zona a uma mudança no cenário militar e político global. Teerã afirmou que a navegação não recuperará o ritmo habitual enquanto persistirem as ações militares americanas na região, as ameaças à área e o bloqueio naval contra o país.

Crise e contexto geopolítico

A negociação com Omã faz parte de um processo aberto há três meses para estabelecer uma via segura no estreito. Antes do início do conflito, cerca de 20% do petróleo mundial passava por Ormuz, transformando qualquer incidente no local em um fator de forte impacto sobre o mercado internacional de energia, os seguros marítimos e as cadeias de suprimento global.

A crise se agravou após o Irã anunciar um novo fechamento da rota estratégica em razão de bombardeios americanos no sul de seu território. Teerã respondeu com ataques contra alvos dos EUA no Oriente Médio, enquanto Washington restabeleceu o bloqueio naval contra a república islâmica.

Resposta às declarações dos EUA

O anúncio do acordo com Omã coincidiu com uma postura pública rígida do Irã sobre a soberania da região. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, rejeitou as declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre uma eventual proclamação de Ormuz como território sob controle dos Estados Unidos.

Gharibabadi afirmou que o estreito não pode ser controlado por meio de ameaças políticas ou demonstrações de força naval, reforçando que a decisão de abrir ou fechar a via permanece sob o domínio iraniano. A reação oficial em Teerã evidenciou que a disputa transcendeu a esfera comercial e passou a integrar um confronto direto por soberania e poder de dissuasão no Golfo.

Outros desdobramentos

A tensão na região também se estende ao campo diplomático e militar. Fontes iranianas informaram que três pilotos de combate do país permanecem retidos no Catar desde março, em decorrência de operações vinculadas ao início do conflito. O Estado-Maior iraniano exigiu a libertação dos militares e solicitou a intervenção do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste sábado, em entrevista à Al Jazeera, que a reabertura do estreito é prioridade urgente e que o bloqueio contínuo não beneficia nenhum país. Erdogan também destacou o papel mediador do Catar nas tentativas de pôr fim à crise regional. Paralelamente, no Parlamento iraniano, avançam projetos de lei para consolidar a posição oficial do país sobre a navegação no Estreito de Ormuz.

Fonte: Gazeta Brasil



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