sábado, 15 de agosto de 2026

LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA E O PARTIDO DOS TRABALHADORES APRESENTA PROGRAMA DE GOVERNO PARA O 'LULA4'

Fim da 6x1, soberania e segurança: o plano de Lula para novo mandato

Programa prevê criação do Ministério da Segurança Pública, reação a tarifaços de Trump, aproximação com BRICS e Sul Global e volta da Petrobras à distribuição de combustíveis

O plano de governo do presidente Lula (PT) para 2027-2030 aposta na continuidade da atual gestão, mas traz novas propostas nas áreas de trabalho, segurança, energia e tecnologia. Entre elas estão o fim da escala 6x1, a criação do Ministério da Segurança Pública, a volta da Petrobras à distribuição de combustíveis e a inclusão de exames no Farmácia Popular.

No cenário internacional, o documento coloca a soberania no centro da estratégia. O texto cita diretamente os tarifaços impostos pelo governo de Donald Trump e defende reduzir dependências em setores estratégicos, diversificar parceiros comerciais e aprofundar as relações com os Brics e o Sul Global.

Com 84 páginas, o programa apresenta um eventual quarto mandato de Lula como aprofundamento das políticas iniciadas em 2023. Também prevê novas regras para trabalhadores de aplicativos e uma agenda voltada à inteligência artificial e à chamada soberania digital.

Veja os principais pontos

Soberania, Trump e Brics

A soberania é um dos conceitos que atravessam o programa de Lula. Ela não aparece apenas na política externa, mas também associada a áreas como defesa, ciência, tecnologia, energia, minerais, economia, saúde e segurança alimentar.

O plano afirma que o Brasil precisa preservar a autonomia para tomar suas decisões políticas e econômicas e enumera diferentes dimensões da soberania, entre elas a geopolítica, tecnológica, digital, energética, mineral, ambiental e financeira.

Trabalho: fim da 6x1 e jornada de 40 horas

Uma das propostas mais objetivas do programa está na pauta trabalhista. Lula promete continuar a atuação no Congresso para acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial. A proposta já passou pela Câmara e aguarda análise no Senado. O Planalto defende que o texto seja aprovado ainda neste ano.

Segurança: novo ministério e R$ 10 bilhões

Na segurança pública, Lula condiciona uma das principais mudanças institucionais à aprovação da PEC da Segurança Pública apresentada pelo Executivo.

Caso a proposta seja aprovada, o plano prevê criar o Ministério da Segurança Pública, responsável por coordenar políticas nacionais em articulação com estados e municípios e atuar em áreas como inteligência, prevenção da violência e enfrentamento ao crime organizado.

Economia: arcabouço mantido e política industrial

Na economia, o documento sinaliza continuidade. Lula promete manter o atual arcabouço fiscal e criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada.

Petrobras de volta à distribuição

Na área de energia, o programa combina a expansão da exploração de petróleo e gás com a transição para fontes de menor emissão de carbono. Uma das novidades é a proposta de fazer a Petrobras retornar ao segmento de distribuição de combustíveis.

IA e soberania digital

A preocupação com a dependência externa também aparece na área tecnológica. Lula propõe criar uma infraestrutura computacional soberana, com supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais e modelos de linguagem em português voltados às necessidades do país.

Saúde: exames no Farmácia Popular

Na saúde, uma das novidades mais concretas é a ampliação do Farmácia Popular.

Além de manter a distribuição gratuita de medicamentos, o programa promete incluir exames laboratoriais, de diagnóstico e de acompanhamento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

Emendas parlamentares na mira

O plano também entra em uma das áreas mais sensíveis da relação entre Executivo e Congresso: as emendas parlamentares.

Continuidade como marca

Mais do que propor uma mudança de direção, o plano apresenta um eventual quarto mandato de Lula como continuação e aprofundamento do projeto iniciado em 2023.

Fonte: Congresso em Foco



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