terça-feira, 25 de agosto de 2026

104 dos 315 POSTULANTES AO SENADO FEDERAL CONCORREM LONGE DE SEUS ESTADOS NATAL

Um terço dos candidatos ao Senado disputa fora do Estado em que nasceu

Levantamento mostra que 104 dos 315 concorrentes nasceram em outra UF. Grupo vai de políticos que mudaram recentemente de Estado, como Simone Tebet e Carlos Bolsonaro, a nomes que construíram há décadas sua trajetória política na unidade que representam

Um em cada três candidatos ao Senado nas eleições de 2026 nasceu fora da unidade da Federação que pretende representar. Levantamento do Congresso em Foco a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 104 nomes nessa situação entre 315 concorrentes, ou 33%. Outros 210, ou 67%, nasceram na unidade pela qual disputam a eleição.

A proporção é bem superior à verificada no conjunto das candidaturas (22%). Considerando governador e vice, senador e suplentes, deputado federal, estadual e distrital, 30% dos concorrentes nasceram em outra UF. No Senado, o índice é 11 pontos percentuais maior.

O grupo reúne trajetórias bastante diferentes. Há políticos que migraram ainda crianças e construíram a vida pública no estado pelo qual concorrem, outros que fizeram carreira eleitoral em uma unidade e depois mudaram de território político e casos de transferência recente de domicílio eleitoral. Entre os exemplos estão Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas por São Paulo. Marina nasceu no Acre, onde iniciou a carreira política, mas foi eleita deputada federal por São Paulo em 2022. Licenciada para comandar o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, reassumiu o mandato em abril deste ano. Simone construiu sua trajetória eleitoral em Mato Grosso do Sul antes de transferir recentemente o domicílio para São Paulo.

Ex-senadora por seu estado natal, Tebet afirma manter vínculos econômicos e fiscais com São Paulo. A mudança também teve componente político-eleitoral: ela aceitou disputar pelo estado após pedidos de Lula e Geraldo Alckmin e destacou que São Paulo foi onde obteve sua maior votação na eleição presidencial de 2022, com cerca de 1,6 milhão de votos. Marina ressalta que sua ligação com o eleitorado paulista é anterior à atual disputa: recebeu dos paulistas, em 2022, o mandato de deputada federal que exerce atualmente.

Constituição exige domicílio, não nascimento

Não há irregularidade em disputar o Senado por uma unidade diferente daquela onde se nasceu. A Constituição determina que a Casa seja composta por representantes dos estados e do Distrito Federal, mas não exige que o senador seja natural da unidade que representa.

O candidato precisa ter domicílio eleitoral na circunscrição e cumprir as demais condições de elegibilidade. Em 2026, o prazo geral para filiação partidária e domicílio eleitoral terminou em 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno. Neste ano, serão renovadas 54 das 81 cadeiras do Senado.

Fonte: Congresso em Foco



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