sexta-feira, 31 de julho de 2026

SALÁRIO DO TRABALHADOR DEVERIA SER R$ 8.110 APONTA DIEESE ENQUANTO A CESTA BÁSICA CONSOME MAIS DA METADA DA RENDA

Comida leva metade do salário do trabalhador — veja o valor que você deveria ganhar segundo o Dieese

A alimentação continua pesando cada vez mais no orçamento dos brasileiros. Dados sobre o custo da cesta básica mostram que o conjunto de alimentos essenciais já consome, em média, 52% do salário mínimo líquido do trabalhador. Isso significa que mais da metade da renda mensal é destinada apenas à compra dos itens básicos de alimentação.

O aumento acompanha a pressão da inflação sobre os alimentos. Segundo o IPCA, o grupo Alimentos e Bebidas acumulou alta de 3,82% nos últimos 12 meses, reduzindo o poder de compra das famílias.

Cesta básica sobe 8,69% em um ano

Levantamento da Conab e do Dieese mostra que o valor médio da cesta básica nas 27 capitais brasileiras chegou a R$ 779,95 em junho de 2026, uma alta de 8,69% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na prática, um trabalhador que recebe um salário mínimo precisa dedicar, em média, 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês apenas para comprar a cesta básica, considerando uma jornada de oito horas diárias em escala 5×2.

Capitais com os preços mais altos

São Paulo registrou a cesta básica mais cara do país, com preço médio de R$ 965,47 — uma alta de 9,37% em doze meses. Na capital paulista, a compra da cesta consome cerca de 64% do salário mínimo líquido e exige 131 horas de trabalho, o equivalente a mais de 16 dias úteis.

Em seguida aparecem Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre entre as capitais onde o trabalhador precisa dedicar mais tempo para adquirir os alimentos básicos. Cuiabá apresentou a maior alta anual, com avanço de 14,71% no valor da cesta.

Cesta mais barata e salário necessário

Na direção oposta, São Luís foi a única capital a registrar pequena redução nos preços, enquanto Aracaju manteve a cesta básica mais barata do país, com custo médio de R$ 630,40.

Com base no preço da cesta básica e nas despesas essenciais de uma família de quatro pessoas, Conab e Dieese estimam que o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 8.110,92 — valor aproximadamente cinco vezes superior ao piso nacional vigente, de R$ 1.621,00.

O rendimento médio das pessoas ocupadas, segundo a PNAD Contínua do IBGE, é de R$ 3.726,00 — menos da metade do salário considerado necessário pelas instituições.

Os números evidenciam que, embora indicadores macroeconômicos apontem desaceleração da inflação em alguns segmentos, os alimentos continuam sendo um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento doméstico.

Fonte: Gazeta Brasil



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