sábado, 25 de julho de 2026

PRIMEIRO CASO NO BRASIL DE HOMEM TRANS DÁ A LUZ UM BEBÊ NA REDE PÚBLICA ESTADUAL NA PARAÍBA

Homem trans dá à luz primeiro bebê na rede pública estadual da PB: 'é amor, é respeito', diz esposa

Neste domingo (28), Dia do Orgulho LGBT, Gisele Castro, mãe da pequena Iara, conversou com o g1 sobre família e desafios da paternidade e maternidade transsexual

O nascimento da pequena Iara marcou um momento histórico na rede estadual de saúde da Paraíba. Ela é a primeira bebê gerada por um homem trans no sistema público do estado. Filha de Daniel Valentim e de Gisele Castro, uma mulher trans, a criança é fruto de uma gravidez planejada e acompanhada de perto pelo casal.

No dia do Orgulho LGBT, comemorado neste domingo (28), Gisele falou sobre a chegada da filha, o significado desse momento e os desafios do casal transsexual.

“A gente quer falar para a sociedade que família tem a ver com amor, respeito e união. Então, se você tem aí esses três ingredientes, você tem uma família”, afirmou a mãe.

Escolha do hospital

Moradores da cidade de Esperança, Daniel e Gisele começaram a fazer o pré-natal em Campina Grande. A gestação foi classificada como de alto risco logo no primeiro mês, após Daniel ser diagnosticado com trombose, uma alteração sanguínea comum em gestantes. O casal também recebia assistência do ambulatório para pessoas transexuais vinculado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.

Apesar do acompanhamento, Daniel Valentim sentia desconforto e medo do preconceito por ser o primeiro homem trans gestante na unidade. A insegurança aumentou ao ser informado de que a obstetra responsável pelo pré-natal não realizaria o parto, que ficaria a cargo do médico plantonista do dia.

Desafios para a gestação

Daniel e Gisele se conheceram há cerca de quatro anos. O desejo de ter um filho é antigo e, em 2023, veio a primeira tentativa. Gisele relata que, para um casal transsexual tentar engravidar, é necessário parar com o tratamento hormonal, o que pode gerar disforia.

"No meu caso, uma mulher trans toma um hormônio feminilizante. E, no caso dele, homem trans, toma um hormônio masculinizante. Aí é muito ruim, por um certo lado, porque, quando a gente tem, quando a gente quer engravidar, a gente tem que parar com esses hormônios. E aí as características masculinas e femininas, elas voltam nos nossos corpos, o que traz algo chamado de disforia, que é um desconforto".

Meses depois, Daniel e Gisele voltaram a tentar novamente, e a gravidez veio no final de 2025. Agora, em junho de 2026, a pequena Iara nasceu, trazendo felicidade para toda a família.

Fonte: g1pb.globo.com



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