Os homens passam, o roteiro continua
Mudam os presidentes. Mudam os discursos. Mudam os ternos. Mas a CBF insiste em repetir a mesma tragédia. Ricardo Teixeira. José Maria Marin. Marco Polo Del Nero. Rogério Caboclo. Ednaldo Rodrigues. Uns banidos. Outros presos. Outros afastados. Outros envolvidos em denúncias e decisões judiciais.
Nelson Rodrigues dizia que “o brasileiro tem uma vocação para a esperança”. Talvez seja por isso que a cada Copa a gente acredite que, finalmente, tudo será diferente.
Mas como exigir um futebol limpo quando a própria casa vive mergulhada em escândalos?
O Brasil, país que ensinou o mundo a jogar bola, transformou a entidade máxima do seu futebol numa sucessão de crises. Enquanto a camisa amarela carrega cinco estrelas, os bastidores acumulam manchas que nenhuma taça consegue esconder.
Não é apenas uma sequência de presidentes. É uma sequência de fracassos institucionais. E o maior derrotado nunca foi um dirigente. Foi o futebol brasileiro. Foi o torcedor. Foi a Seleção.
Porque, quando a administração adoece, cedo ou tarde o campo também paga a conta. E talvez seja justamente aí que esteja a explicação para um país que já foi sinônimo de excelência e hoje coleciona mais escândalos do que conquistas.
A tragédia do futebol brasileiro não começou com um técnico. Nem termina com um presidente.
Ela começou quando o poder passou a valer mais do que a bola.
Fonte: Jornal dos Sports

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