sexta-feira, 26 de junho de 2026

NOVA FRONTEIRA ECONÔMICA: ALGA CULTIVADA NO LITORAL POTIGUAR ABASTECE A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS COSMÉTICOS AGRICULTURA E LABORATÓRIOS CIENTÍFICOS

Gracilaria: a alga que une ciência, renda e sustentabilidade no litoral do RN

Nas águas rasas do litoral norte do Rio Grande do Norte, onde pescadores e marisqueiras dependem há gerações dos recursos do mar, uma nova atividade começa a ganhar espaço. Entre cordas, tubos de PVC e estruturas flutuantes instaladas entre os municípios de Macau e Galinhos, cresce silenciosamente uma matéria-prima capaz de abastecer indústrias de alimentos, cosméticos, agricultura e até laboratórios científicos.

Trata-se da Gracilaria, um gênero de macroalgas marinhas utilizado na produção do agar-agar, substância presente em uma infinidade de produtos do cotidiano. Mas, no Rio Grande do Norte, o cultivo da alga vem assumindo um papel que vai além da economia: tornou-se uma ferramenta de educação ambiental, geração de renda e fortalecimento comunitário.

É essa a proposta do Projeto Algimare, desenvolvido pelo Centro AMA-GOA de Cultura e Meio Ambiente em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) e a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

“Nosso objetivo é capacitar pessoas das comunidades para que conheçam como cultivar a alga marinha e como utilizá-la no dia a dia”, explica Valfran de Miranda Lima, coordenador técnico de campo do projeto.

A rotina dele começa muito antes da colheita. Ao lado de uma equipe de dez colaboradores, Valfran acompanha todas as etapas da produção, desde a coleta controlada de mudas em bancos naturais autorizados pelos órgãos ambientais até a montagem das balsas onde as algas são cultivadas.

“Fazemos todo o processo de montagem das estruturas, monitoramos o desenvolvimento das algas, realizamos a colheita e o replantio para iniciar um novo ciclo”, conta.

Uma alga presente em diversos produtos

Embora pouco conhecida pela maioria da população, a Gracilaria está presente em muitos itens consumidos diariamente.

Com mais de cem espécies catalogadas, a macroalga é utilizada na fabricação de alimentos, produtos farmacêuticos, cosméticos e fertilizantes. O agar-agar extraído dela funciona como gelificante, espessante e estabilizante, características que explicam sua ampla aplicação industrial.

“Ela pode ser encontrada em sorvetes, alimentos processados, gelatinas naturais e até em preparações gastronômicas como saladas e tempurás. Também está presente em cremes dentais, shampoos, hidratantes e produtos farmacêuticos”, explica Valfran.

Entre as diversas aplicações, uma das mais importantes está nos laboratórios. O agar-agar é utilizado como meio de cultura para o crescimento e estudo de microrganismos, tornando-se um insumo fundamental para pesquisas científicas e diagnósticos.

Apesar da demanda crescente, a produção brasileira ainda é pequena diante do potencial existente:

“O Brasil tem condições climáticas muito favoráveis para se tornar um produtor relevante de macroalgas marinhas, especialmente para o mercado agrícola e para a produção de biofertilizantes”, afirma.

Fonte: Saiba Mais



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