terça-feira, 23 de junho de 2026

HAITIANO EM NATAL: A HISTÓRIA ENTRE PETERSON ST ULYSSE E O BRASIL NÃO COMEÇOU QUANDO ELE VEIO PARA NATAL/RN HÁ DEZ ANOS

De fã da Seleção a rival na Copa: a história de um haitiano que encontrou em Natal uma segunda casa

A história entre Peterson St Ulysse - haitiano de 31 anos - e o Brasil não começou quando ele veio para Natal há dez anos. Aconteceu quando o país do caribe recebeu uma Missão das Nações Unidas (ONU), em 2004, no qual o exército brasileiro teve um papel importante de ajuda à população haitiana. Naquele mesmo período, o Brasil coordenou o MINUSTAH, um grupo de estabilização política no Haiti.

A influência da cultura brasileira foi determinante para o gosto de Peterson nos esportes: no futebol e, principalmente, no basquete. Isso porque no mesmo ano de 2004, a seleção brasileira enfrentou o Haiti, no conhecido jogo da paz, no Estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe - capital do país. Ocasião que mudou sua vida.

“Sim, inclusive eu fui para o estádio desse jogo, infelizmente eu não tinha ingresso para entrar, mas eu saí do aeroporto caminhando aproximadamente, vamos dizer, de 8 a 10 km para chegar lá no estádio. Eu me lembro, era muita gente. Tipo, eu acho que é um dos cantos em que a seleção brasileira foi bem recebida fora do Brasil. Então era muita alegria ver os campeões do mundo, Ronaldinho, Ronaldo”, detalhou.

Peterson St Ulysse chegou em Natal no final de 2015 por conta da questão política que vive o país, principalmente após as consequências do terremoto de 2010. A escolha pela cidade do sol ocorreu por conta de fatores sociais e climáticos parecidos com seu país de origem.

“É uma coisa específica de Natal. É uma cidade parecida com Haiti em relação sobre clima. E sobre a cultura também. É mais parecido do que estar no Sudeste ou no Sul. Então, por causa do clima. Aqui é um pouquinho quente, igual no Haiti”, revelou.

Uma pesquisa publicada pela OIM Brasil, em 2022, estima-se que haja entre 150 mil a 200 mil haitianos no país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. O país tupiniquim é um dos principais destinos globais da diáspora haitiana.

“Eu me dou bem com a cultura porque eu cresci dentro da cultura brasileira, praticamente (no período da missão da ONU). Então, eu vivia mais no Brasil, quando eu estava no Haiti, do que viver próprio no Haiti. Então, eu passava o meu dia com os brasileiros. Passava o meu tempo falando português, comendo comida brasileira. Então, já tinha uma adaptação antes de vir para cá. Por isso que isso facilitou a minha adaptação com a cultura brasileira. E Natal não é uma cidade que é fria, igual outras regiões do país. O povo natalense é mais aberto para conversar”, explica o motivo da preferência pelo Brasil.

Atualmente, ele trabalha como professor de inglês. Porém passou um período se dedicando ao turismo potiguar, trabalhando como intérprete - Peterson fala cinco idiomas. Nas horas vagas, o haitiano potiguar tem como hobby jogar basquete com os amigos.

Copa do Mundo de 2026

O Haiti volta a Copa do Mundo depois de 52 anos. A seleção é conhecida pela alcunha de Grenadiers - por conta dos soldados que lutaram na Revolução Haitiana. O time haitiano está no grupo C - o mesmo do Brasil. A equipe nunca conseguiu sequer um empate. Foram quatro jogos na história e quatro derrotas. Perdeu a última partida contra a Escócia, por 1 a 0.

Nesse período fora da copa, a população do Haiti sempre fez questão de torcer para a seleção canarinho. Peterson não foi diferente. Tendo como ídolos Ronaldo e Ronaldinho, a época de copa era sagrada.

“Na Copa 2002, eu assisti os dois gols do Ronaldo na TV. Então, tipo assim, o que a gente entendia do Brasil era duas palavras, futebol e café, quando eu estudava na escola. Era o maior exportador de café do mundo e o maior país em futebol do mundo, que tinha quatro estrelas, depois veio cinco estrelas. Então, eram essas as duas palavras que definiam o Brasil pra gente”, falou.

Brasil e Haiti vão se enfrentar nesta sexta-feira (19), no Philadelphia Stadium, Filadélfia. O Brasil vem de um empate de 1 a 1 contra Marrocos e precisa vencer para estar bem na terceira rodada da competição.

O coração de Peterson não está dividido. Ele vai torcer para o Haiti, mas não vai achar ruim um possível empate. “O resultado de hoje, na esperança de um 2x1 para o Haiti, né? A expectativa é essa, né? Mas muitos amigos falaram assim, ‘ei, Peter, você vai torcer pelo Haiti? Eu falei, claro, eu já torci demais pro Brasil”.

“Então, chegar uma Copa do Mundo já é uma superação. Por mais que a gente perca hoje, pra mim, a seleção provou que tem cultura de futebol e provou que o futebol é o esporte favorito do haitiano, do povo haitiano”, falou.

Fonte: Tribuna do Norte



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