segunda-feira, 1 de junho de 2026

EM BRASÍLIA NADA É POR ACASO: PRESIDENTE HUGO MOTTA SURFA NA ONDA DO FIM DA ESCALA 6x1 E MIRA NA REELEIÇÃO E ELEIÇÃO DE SEU PAI PARA O SENADO

Aprovação do fim da escala 6×1 fortalece Hugo Motta e impulsiona projeto político do pai ao Senado

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 na Câmara dos Deputados passou a ser apontada como a principal marca da gestão de Hugo Motta na presidência da Casa. Além do impacto nacional da proposta, parlamentares avaliam que a articulação também fortalece o projeto eleitoral de seu pai, Nabor Wanderley, prefeito de Patos, que é cotado para disputar uma vaga no Senado pela Paraíba.

Segundo o jornal O Estadão, deputados enxergam na condução da votação uma estratégia política que reforça a influência de Motta no Congresso e amplia sua aproximação com o presidente Lula, movimento considerado importante para a disputa eleitoral de 2026 no estado.

Votação reforça liderança de Motta na Câmara

A PEC foi aprovada em primeiro turno por 472 votos, em uma das votações mais expressivas da atual legislatura. Para aliados do presidente da Câmara, o resultado demonstrou capacidade de articulação e controle sobre o plenário.

A proposta se soma a outras pautas de grande repercussão popular que receberam prioridade na gestão de Motta, como o projeto que garantiu a manutenção da bagagem de mão gratuita em voos e o chamado ECA Digital, também conhecido como Lei Felca.

Em comum, os projetos possuem forte apelo popular e grande potencial de repercussão nas redes sociais.

Aliança com Lula entra no cálculo político

Nos bastidores, parlamentares avaliam que a aprovação da PEC também enviou um sinal de aproximação entre Motta e o governo federal.

A estratégia ganha relevância diante da disputa pelo Senado na Paraíba. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em maio mostrou o ex-governador João Azevêdo na liderança para a primeira vaga, com 43% das citações, seguido pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, com 25%.

Já Nabor Wanderley aparece com 7% para a primeira vaga e 12% para a segunda, atrás de Marcelo Queiroga, que registra 13%.

Aliados de Motta acreditam que a proximidade com Lula pode beneficiar a candidatura do prefeito, especialmente considerando o desempenho do presidente na Paraíba no segundo turno da última eleição presidencial.

Tema enfrentou resistência dentro e fora da base

Uma das principais bandeiras defendidas por Lula, o fim da escala 6×1 encontrava resistência entre parlamentares da oposição, setores ligados ao empresariado e até mesmo dentro do Republicanos.

O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, chegou a criticar publicamente a proposta, mas posteriormente se desculpou após a repercussão negativa de suas declarações.

Mesmo diante das divergências, Motta trabalhou para aprovar o texto negociado com o governo sem alterações no plenário, repetindo a estratégia utilizada na votação da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.

Redes sociais orientam prioridades da gestão

A atenção do presidente da Câmara a pautas de grande alcance popular já havia sido observada em outras votações recentes.

Entre elas está o projeto relacionado à gratuidade da bagagem de mão nas companhias aéreas e a tramitação acelerada do ECA Digital, impulsionado pela repercussão de conteúdos produzidos pelo influenciador Felca sobre a exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais.

As iniciativas ajudaram a consolidar uma estratégia que combina visibilidade pública, forte repercussão digital e articulação política.

Cenário contrasta com início turbulento da gestão

O momento de fortalecimento político contrasta com os primeiros meses de Hugo Motta à frente da Câmara.

No início do mandato, o deputado enfrentou pressão da oposição para pautar a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e cobranças do governo para barrar a discussão.

Em um dos episódios mais tensos, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam a mesa da presidência da Câmara durante uma sessão em agosto de 2025. Na ocasião, o deputado Marcos Pollon fez ataques pessoais a Motta e posteriormente teve o mandato suspenso por 60 dias pelo Conselho de Ética, decisão que ainda pode ser alvo de recurso.

Com a aprovação da PEC do fim da escala 6×1, aliados avaliam que Motta consolida uma das principais vitórias políticas de sua gestão e fortalece sua posição no cenário nacional às vésperas das articulações eleitorais de 2026.

Fonte: Estadão



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