Inspeção aponta problemas estruturais e efetivo reduzido em obra no Hospital Municipal de Natal
Uma inspeção de rotina solicitada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) à qual o g1 teve acesso apontou problemas estruturais, riscos de infiltração e efetivo reduzido na obra do Hospital Municipal de Natal, além de indicar que a área de consultas, internações e cirurgias estava em fase inicial de construção.
A unidade teve a sua primeira etapa inaugurada em dezembro de 2024, pelo então prefeito Álvaro Dias, mas nunca funcionou. De acordo com o Município, a obra tem custo total de R$ 160 milhões.
A avaliação foi feita por um engenheiro civil dentro do Projeto Obra Fácil, que, segundo o relatório do MP, "tem como finalidade realizar inspeções técnicas in loco em obras em andamento, com foco exclusivo na análise qualitativa dos serviços em execução".
O relatório, que foi entregue em dezembro do ano passado, não analisou custos ou aspectos relacionados à auditoria da obra.
Em nota, o MP informou que o relatório faz parte do acompanhamento contínuo que a instituição realiza desde a execução da obra.
Segundo o MP, o documento está em análise na Promotoria para encaminhamentos, "incluindo oportunizar ao consórcio responsável pela obra esclarecimentos e prazos para providências".
"A Promotoria de Justiça informa que acompanha o andamento da obra de forma administrativa, não se furtando de adotar medidas judiciais cabíveis, caso sejam necessárias", citou o MP.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde ressaltou que o relatório citado pelo Ministério Público é de dezembro de 2025 e se refere a uma inspeção de rotina realizada no mês anterior.
Segundo a pasta, o documento aponta que a obra apresenta boa qualidade de forma geral e traz apenas recomendações específicas e pontuais, que já começaram a ser corrigidas pela empresa responsável. A secretaria afirmou ainda que nenhum dos itens compromete a estabilidade da estrutura nem a segurança dos ocupantes.
A SMS também informou que a obra segue em fase final de conclusão e que os primeiros atendimentos estão previstos para começar em julho de 2026. Veja a nota completa no fim desta reportagem.
Veja o que foi apontado na inspeção
A inspeção separou a unidade em três blocos: área administrativa, ambulatório e bloco hospital. Os problemas encontrados por bloco, foram:
Área Administrativa
Rufos (peças metálicas no telhado) com detalhamento inadequado;
Desplacamento de soleiras;
Fissuras em chapins (peças de concreto) e platibandas (mureta construída para esconder telhado);
Irregularidades no assentamento de pisos;
Falhas de acabamento em corrimãos e início de corrosão em válvulas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).
O relatório cita um "avanço significativo" nas áreas técnica e administrativa do hospital e diz que apesar da falta de acesso aos projetos e planilhas para avaliar o percentual físico-financeiro, "de forma geral, observou-se um ritmo avançado de execução".
Os problemas identificados requerem "maior atenção" para evitar possíveis impactos na qualidade final da obra, segundo o documento.
"De maneira geral, a obra apresenta uma qualidade satisfatória, tendo sido identificadas apenas recomendações específicas e pontuais".
Ambulatório
Fissuração estrutural extensa em paredes externas;
Indícios de infiltração;
Tubulações expostas em ambientes internos;
Descontinuidade de junta de dilatação vertical no piso;
Desplacamento de drywall.
Segundo o relatório, a obra está em estágio final de conclusão, apresentando um bom padrão de acabamento.
Apesar disso, cita o documento, existe a "necessidade de correção de itens de serviço e apresentação de pareceres técnicos acerca de uma patologia estrutural identificada".
Bloco Hospital
Ausência de frentes de trabalho ativas;
Armaduras com indício de corrosão;
Acúmulo de entulho no canteiro;
Presença de fissuras em alvenarias externas;
Pilares com armaduras expostas e restos de formas não removidas.
O Bloco Hospital será destinado às atividades de consultas, internações e cirurgias. Segundo o documento, a obra estava em fase inicial, tendo sido iniciadas etapas de execução das fundações, das estruturas de contenção, dos pilares e das estruturas auxiliares.
Segundo o documento, os elementos executados apresentaram um bom padrão de acabamento externo.
"Contudo, atualmente a obra encontra-se com um efetivo extremamente reduzido onde não se identificou a execução de serviços nessa etapa durante a inspeção técnica", apontou.
Recomendações
O relatório também aponta algumas recomendações em relação às obras.
Sobre a fissura encontrada no ambulatório, o documento diz que por meio da análise visual apenas não é possível determinar se o que motivou a fissura já parou ou ainda está em curso, o que poderia representar risco potencial à estabilidade da edificação e à segurança dos usuários.
A recomendação, nesse caso, foi elaborar um laudo técnico estrutural.
Já em relação às infiltrações - que teriam sido causadas por falhas pontuais no teste do sistema de climatização que já teriam sido corrigidas - a recomendação foi realizar novos testes de verificação funcional do sistema de climatização. A medida é recomendada para evitar degradação da construção e problemas como fungos.
As fissuras encontradas em placas de concreto e nas muretas do telhado, segundo o documento, podem funcionar como pontos de entrada de umidade e infiltração, principalmente em períodos de chuvas intensas, o que deve ser avaliado.
O relatório cita ainda a exposição direta das armaduras de aço às ações ambientais, o que favorece o início de processos corrosivos superficiais, que tendem a se propagar para o interior do concreto se não forem previamente tratados.
Veja a nota completa da Secretaria Municipal de Saúde
NOTA
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informa que, em relação ao relatório sobre uma das inspeções técnicas de rotina realizada pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN) no Hospital Municipal, trata-se de um documento de dezembro de 2025, relativo a uma visita realizada pelo órgão durante o mês de novembro do mesmo ano.
Durante a inspeção de rotina, o relatório reforçou que, no geral, a obra apresenta boa qualidade. O MPRN também realizou algumas recomendações específicas e pontuais ao projeto, com intervenções corretivas já iniciadas (pela empresa responsável pela execução da construção).
A pasta reforça que nenhum dos itens apontados compromete a estabilidade global da estrutura nem a segurança dos ocupantes.
O projeto de construção do Hospital de Natal foi distribuído em duas etapas. Para iniciar o funcionamento da primeira fase, foi necessária também a execução de alguns serviços que estavam inicialmente inseridos na segunda etapa e que atenderão a todo o complexo, como a construção de dois centros cirúrgicos. A obra segue em fase final de conclusão, com previsão de que os primeiros acolhimentos sejam iniciados no mês de julho de 2026.
Fonte: G1 RN

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