Como o ebola é transmitido e qual o risco para o Brasil?
A Secretaria de Estado da Saúde de SP investiga um caso suspeito da doença. O comentarista da CBN, doutor Luis Fernando Correia, respondeu às principais dúvidas sobre o tema
Um paciente vindo da República Democrática do Congo está em observação no Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, após a suspeita de infecção por ebola. O caso foi confirmado pelas autoridades de saúde como monitorado, e o risco de disseminação no Brasil é considerado baixo.
Em entrevista ao Show da Notícia, o comentarista da CBN, doutor Luis Fernando Correia, explicou que o ebola é uma doença viral aguda e grave, com alta taxa de letalidade, que já provocou diversos surtos na África.
"O ebola é uma doença viral aguda, extremamente grave, com alto índice de letalidade, ou seja, muitas pessoas infectadas acabam morrendo."
Segundo o médico, o surto atual envolve uma cepa menos comum do vírus, com letalidade estimada entre 30% e 50%, inferior à de variantes anteriores, que podiam chegar a 90%. Ainda assim, trata-se de uma doença grave e de difícil controle em regiões afetadas.
Forma de transmissão
O especialista destacou que a transmissão do ebola não ocorre pelo ar, como no caso da Covid-19, mas por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, saliva e secreções. Por isso, o risco de contágio em situações cotidianas é considerado baixo, especialmente sem contato íntimo com o paciente.
"O ebola não se transmite pelo ar, isso é muito importante que todos saibam. Ele é transmitido por secreções do corpo, como suor, secreções nasais, saliva e outros fluidos. Um dos fatores que complica o surto na República Democrática do Congo são os rituais de sepultamento, nos quais as pessoas costumam limpar os corpos e ter contato direto com secreções infectadas, o que aumenta a transmissão da doença de forma exponencial."
Risco de disseminação de ebola no Brasil é baixo
Segundo o médico, o risco de disseminação do ebola no Brasil é considerado baixo por autoridades sanitárias como a Anvisa e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ele também destacou que a identificação de um caso suspeito no Brasil é um sinal de funcionamento do sistema de vigilância sanitária. Isso ocorre porque o paciente foi reconhecido dentro da janela de incubação da doença, que pode chegar a até 21 dias.
"Nossas autoridades, o nosso esquema sanitário está funcionando, porque esse indivíduo foi identificado vindo de uma região da República Democrática do Congo nos últimos 21 dias. Por que 21 dias? É a janela de incubação dessa doença. O ebola não se transmite sem sintomas."
Apesar da globalização, o especialista avalia que o risco de entrada e disseminação da doença no país permanece baixo, desde que os sistemas de vigilância e triagem sigam funcionando bem.
"Nosso risco continua baixo, mas, sabendo que a gente vive num mundo altamente globalizado. Se essas estruturas de conexões e de transporte não estiverem muito alertas e muito bem treinadas, a chance existe, mas é muito baixa."
E a participação da RD Congo na Copa do Mundo?
A seleção da República Democrática do Congo está concentrada na Europa há alguns meses, o que reduz a circulação de pessoas vindas diretamente da região afetada pelo surto de ebola. A preparação da equipe ocorre fora do país principalmente por motivos logísticos, já que a maioria dos jogadores atua em clubes estrangeiros.
Tem vacina?
A vacina contra o ebola ainda está em fase de desenvolvimento e pode levar meses para avançar, segundo Luis Fernando Correia. Ele explica que, até recentemente, não havia estudos específicos para essa nova cepa do vírus, já que os surtos anteriores foram limitados a poucas ocorrências no interior da República Democrática do Congo.
"Até agora não se falava de vacina para essa cepa, porque só houve dois surtos no interior da República Democrática do Congo. Agora, com esse surto que possivelmente já está fora de controle, há anúncios de que empresas farmacêuticas vão começar a pesquisar uma vacina para essa doença."
Fonte: CBN Brasil

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