Sebrae-RN lança programa para ampliar cultivo de camarão no interior do estado
Iniciativa busca expandir a carcinicultura para regiões do semiárido e fortalecer a cadeia produtiva potiguar
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Norte (Sebrae-RN) lançará, no próximo dia 1º de junho, um programa voltado à interiorização da carcinicultura no estado. A iniciativa pretende ampliar a produção de camarão cultivado, incentivar novos polos produtivos e fortalecer a atividade aquícola em regiões do semiárido potiguar.
O lançamento oficial do Programa de Interiorização da Carcinicultura será realizado às 9h, no Cine Teatro Pedro Amorim, em Assú, com participação de produtores, pesquisadores, representantes de instituições públicas e lideranças do setor.
O projeto é desenvolvido em parceria com o Governo do Rio Grande do Norte, o Ministério da Pesca e Aquicultura, a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
A proposta busca expandir o cultivo de camarão para áreas do interior com potencial hídrico e produtivo, reduzindo a concentração histórica da atividade no litoral potiguar. Entre as regiões apontadas como estratégicas estão o Vale do Açu, Chapada do Apodi e Seridó.
Segundo o gestor da área de aquicultura do Sebrae-RN, Marcelo Medeiros, a iniciativa pretende estimular práticas sustentáveis e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva no estado.
“O programa busca incentivar práticas sustentáveis na cadeia produtiva da carcinicultura, promovendo inovação, qualificação técnica e fortalecimento da competitividade do setor no Estado”, afirmou Medeiros.
Atualmente, o Rio Grande do Norte é o segundo maior produtor de camarão cultivado do Brasil, atrás apenas do Ceará, respondendo por cerca de 25% da produção nacional. Dados do setor indicam que a atividade movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano e gera entre 25 mil e 35 mil empregos diretos no estado.
A produção potiguar é estimada em aproximadamente 45 mil toneladas anuais, segundo projeções da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC).
A estratégia de interiorização também busca reduzir conflitos ambientais ligados ao cultivo em áreas de manguezal no litoral. A expansão para o interior passou a ser vista como alternativa para ampliar a produção com maior segurança ambiental e jurídica.
De acordo com dados do governo estadual, cerca de 75% da produção potiguar já possui licenciamento ambiental e outorga de uso da água.
O setor acompanha ainda negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura para possível retomada das exportações brasileiras de camarão para a União Europeia e abertura do mercado chinês ao produto nacional. Atualmente, a maior parte da produção do Rio Grande do Norte é destinada ao mercado interno.
O programa lançado pelo Sebrae-RN também reforça o movimento de fortalecimento institucional da atividade. Em 2025, o governo estadual sancionou a Lei de Interiorização da Carcinicultura, que prevê incentivos para pequenos e médios produtores ampliarem o cultivo no interior do estado.
Além da produção, o Rio Grande do Norte também tem ampliado investimentos em processamento industrial e beneficiamento do camarão cultivado. Hoje, o estado possui ao menos quatro plantas industriais voltadas ao congelamento e processamento do produto.
No cenário nacional, o Brasil produziu cerca de 210 mil toneladas de camarão cultivado em 2024, movimentando aproximadamente R$ 5 bilhões, segundo dados apresentados durante a Fenacam 2025, realizada em Natal.
Fonte: O Poti News

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