segunda-feira, 11 de maio de 2026

A PESSOA IDENTIFICADO COMO O POSSÍVEL 'PACIENTE ZERO' DO SURTO DE HANTAVÍRUS NO NAVIO MV HONDIUS É UM HOLANDÊS

Identificado o ‘paciente zero’ do surto de hantavírus em cruzeiro

O chamado “paciente zero” do surto de hantavírus no navio MV Hondius foi identificado como o ornitólogo holandês Leo Schilperoord, de 70 anos. Ele e sua esposa, Mirjam Schilperoord, de 69 anos, morreram após contrair a doença durante uma viagem de observação de pássaros na Argentina.

O casal, da pequena vila de Haulerwijk (3.000 habitantes, na Holanda), foi identificado em obituários publicados na revista mensal da aldeia. “Como pássaros em voo. Sentiremos sua falta e suas histórias”, diz a homenagem.

A origem da contaminação

O casal chegou à Argentina em 27 de novembro e viajou pelo Chile e Uruguai antes de retornar à Argentina em 27 de março. Nessa data, visitaram um aterro sanitário a cerca de 6 km da cidade de Ushuaia.

O local, tomado por lixo, é evitado pelos moradores, mas serve como ponto de peregrinação para observadores de pássaros do mundo inteiro em busca de uma ave rara: o carcará-de-garganta-branca (caracara-de-Darwin), apelidado de “Darwin’s caracara” – o famoso biólogo Charles Darwin foi o primeiro a coletar a espécie.

Onde o vírus foi contraído

As autoridades argentinas suspeitam que o casal inalou partículas das fezes de ratos-pigmeus-de-cauda-longa (long-tailed pygmy rice rats), que carregam a temida cepa Andes do hantavírus – a única forma conhecida de transmissão entre humanos.

Gastón Bretti, fotógrafo e guia local, disse à ANSA Latina: “É comum observadores de pássaros visitarem aterros sanitários porque há muitas aves ali.”

Sobre o local, ele afirmou: “É uma montanha de resíduos que hoje excede em muito o limite estabelecido pelas autoridades.”

A cronologia da tragédia

27 de março: casal visita o aterro de Ushuaia

1º de abril: embarcam no MV Hondius em Ushuaia, junto com outras 112 pessoas (muitas também observadoras de aves ou cientistas)

6 de abril: Leo relata febre, dor de cabeça, dor abdominal e diarreia

11 de abril: Leo morre no navio (5 dias após os primeiros sintomas)

24 de abril: Mirjam desembarca com o corpo do marido na Ilha de Santa Helena (Atlântico). Ela voa para Joanesburgo (África do Sul) para pegar um voo da KLM para a Holanda

A tripulação a considerou muito doente para voar e a removeu do avião. Ela desmaiou no aeroporto e morreu no dia seguinte

O perfil do casal

Leo e Mirjam coautoraram um estudo sobre gansos-de-pés-rosados na revista ornitológica holandesa Het Vogeljaar em 1984. Fizeram aventuras pelo mundo, incluindo um “inesquecível” passeio particular de 12 dias de observação de pássaros e vida selvagem no Sri Lanka em 2013, onde avistaram uma rara coruja Serendib Scops.

Passageiros americanos

Pelo menos sete americanos do MV Hondius estavam no voo da Airlink para Joanesburgo em 25 de abril e retornaram aos Estados Unidos. Entre eles, dois residentes de Nova Jersey.

Fonte: Gazeta Brasil



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