domingo, 1 de março de 2026

MANDATO TAMPÃO NO RIO GRANDE DO NORTE: AGORA É A VEZ DO MEIO ACADÊMICO LANÇAR SEU CANDIDATO

Academia articula nome para eventual eleição indireta ao Governo do Estado

Professor de Economia da Uern, filiado ao PV, defende candidatura suprapartidária com apoio das universidades e vice oriundo do Sistema S como alternativa à polarização

Com a possibilidade de sucessão da governadora Fátima Bezerra por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), setores da comunidade acadêmica potiguar iniciaram articulações para inserir no debate sucessório um nome com perfil técnico e trajetória na gestão pública. O escolhido é o professor doutor em Economia Emanoel Nunes, docente da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e filiado ao Partido Verde (PV).

A movimentação, ainda em fase preliminar, busca construir uma candidatura respaldada institucionalmente pelas principais instituições públicas do Estado — além da Uern, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). A proposta inclui ainda a indicação de um vice-governador oriundo do Sistema S, como forma de ampliar o diálogo com o setor produtivo.

Para Nunes, a eventual eleição indireta pode representar “uma saída legítima” dentro do ordenamento constitucional e uma oportunidade de reduzir o ambiente de polarização política no Estado. “Uma candidatura com origem na academia, apoiada de maneira suprapartidária pelas universidades, traria alívio à sociedade e evitaria o desgaste político entre deputados, permitindo que se concentrem em seus mandatos e em suas reeleições”, afirma.

Segundo interlocutores da articulação, a eventual candidatura não teria caráter corporativo, mas se apresentaria como alternativa técnica em um cenário de transição. Entre os eixos defendidos estão o fortalecimento de políticas públicas baseadas em dados, a integração das universidades ao planejamento econômico estadual, a ampliação de investimentos em ciência, tecnologia e inovação e a consolidação de estratégias de sustentabilidade e transição energética — área em que o Rio Grande do Norte se destaca nacionalmente.

A eleição indireta, prevista na Constituição em caso de vacância dupla nos dois últimos anos de mandato, transfere à Assembleia Legislativa a responsabilidade pela escolha do novo chefe do Executivo. Nesse ambiente, perfis com capacidade de diálogo e menor grau de rejeição política tendem a ganhar espaço.

Nunes sustenta que uma candidatura apoiada conjuntamente por Uern, UFRN, IFRN e Ufersa poderia sinalizar compromisso institucional com planejamento de médio prazo e estabilidade administrativa. A escolha de um vice oriundo do Sistema S acrescenta e buscaria compor uma frente entre conhecimento acadêmico e experiência na formação profissional e no setor produtivo.

A consolidação do movimento dependerá da evolução do cenário sucessório e da disposição das bancadas na ALRN. Nos próximos dias, a expectativa é de avanço nas conversas institucionais e na formalização de apoios, em uma articulação que insere a academia como ator direto no debate político estadual.

Fonte: AgoraRN



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