quinta-feira, 19 de março de 2026

ATAQUE ISRAELENSE TIRA A VIDA DE ALI LARIJANI UM DOS HOMENS MAIS INFLUENTES DO REGIME IRANIANO E DO COMANDANTE DA FORÇA PARAMILITAR GHOLAMREZA SOLEIMANI

Saiba quem era Ali Larijani, o doutor em filosofia que se tornou o braço direito do regime iraniano

Ali Larijani, considerado um dos homens mais influentes do regime iraniano, morreu nesta terça-feira (17) em um ataque aéreo israelense em Teerã. A operação também matou Gholamreza Soleimani, comandante da força paramilitar Basij. Larijani, de 67 anos, era conhecido por sua combinação rara de erudição filosófica e pragmatismo político.

Durante décadas, Larijani transitou entre diferentes papéis no Irã: oficial dos Guardas da Revolução que vestia camisas de grife, diplomata negociando acordos nucleares com o Ocidente e acadêmico que escrevia sobre Immanuel Kant enquanto comandava a propaganda estatal.

Após a morte de Ali Khamenei em fevereiro, Larijani assumiu o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, tornando-se o principal responsável pela política externa e defesa do país. Ele também liderou a repressão às manifestações de janeiro, operação que resultou na morte de milhares de civis, estimados entre 7 mil e 36,5 mil, segundo organismos internacionais. Por essas ações, recebeu sanções pessoais dos Estados Unidos.

Nascido em 1957 em Najaf, no Iraque, Larijani vinha de uma família influente, comparada pela imprensa israelense à dinastia Kennedy no Irã. Seus irmãos ocuparam posições-chave no governo, e ele se casou com a filha de um discípulo próximo de Khomeini.

Formado em matemática e informática pela Universidade Tecnológica de Sharif, Larijani posteriormente se voltou para a filosofia, obtendo doutorado em filosofia ocidental com foco em Kant. Publicou seis livros e lecionou na Universidade de Teerã, utilizando seu conhecimento para sustentar a ideologia teocrática e justificar a coexistência de universidades seculares e seminários religiosos.

Larijani também foi ministro da Cultura e chefe da radiodifusão estatal, onde expandiu a propaganda, controlou intelectuais e perseguiu opositores. Entre 2005 e 2007, atuou como principal negociador nuclear do Irã e presidiu o Parlamento por 12 anos. Ele apoiou o acordo nuclear de 2015, não por inclinação reformista, mas por acreditar que a economia precisava de alívio para garantir a sobrevivência do regime.

Apesar de tentar concorrer à presidência em 2021 e 2024, suas candidaturas foram barradas por autoridades do regime, que consideraram seu estilo de vida insuficientemente devoto.

Nos últimos dias, Larijani manteve presença ativa nas redes sociais, escrevendo em inglês para o público americano e criticando Donald Trump: “Trump traiu ‘America First’ para adotar ‘Israel First’” e alertando que ele deveria “vigiar suas costas para não ser eliminado”.

Após o ataque, sua equipe divulgou uma nota manuscrita homenageando marinos mortos em combate, mas o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou a morte de Larijani e Soleimani: “Se uniram a Khamenei e a todos os membros do eixo do mal nas profundezas do inferno”.

Com a morte de Larijani, o Irã perde um estrategista político e militar central, capaz de transitar entre diferentes facções do regime e manter a credibilidade interna e externa. Analistas acreditam que será difícil substituir seu conhecimento técnico e influência política neste momento crítico de sucessão e conflito.

Fonte: Gazeta Brasil



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