sábado, 14 de março de 2026

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO NORTE INSTALARÁ NA CASA DO PADRE JOÃO MARIA UM CENTRO DE CONVIVÊNCIA CULTURAL

Casa do Padre João Maria terá centro cultural sob gestão da Assembleia

Imóvel histórico da Cidade Alta será transformado em Centro de Convivência Cultural e integra estratégia de revitalização conduzida pela Assembleia Legislativa

No coração da Cidade Alta, onde as ruas ainda guardam marcas do período colonial e da formação urbana de Natal, um dos imóveis mais antigos da capital potiguar ganha nova destinação. A Casa do Padre João Maria, construção do século XVII localizada na Rua da Conceição, passará a funcionar como Centro de Convivência Cultural sob gestão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

A cessão do prédio foi formalizada por meio de termo assinado entre a Assembleia e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), transferindo ao Legislativo a administração e a responsabilidade pela preservação do imóvel, tombado como patrimônio histórico desde 1987. A iniciativa marca mais um passo na estratégia institucional de ocupação e recuperação de prédios históricos no Centro de Natal.

Construída originalmente como Armazém Real da Capitania do Rio Grande, a casa foi posteriormente adaptada para residência e atravessou diferentes períodos da história da cidade. A edificação é uma das poucas remanescentes do século XVII erguidas em alvenaria de pedra e cal na capital potiguar e conserva uma fachada colonial que remonta ao final do século XIX.

Entre os moradores que passaram pelo local, o mais conhecido é o Padre João Maria, figura de grande devoção popular no Rio Grande do Norte. Ele viveu na casa entre 1881 e 1905 e se tornou personagem central da religiosidade católica potiguar, sendo considerado santo por muitos fiéis.

Com a nova destinação, o prédio deixa de ser apenas um patrimônio preservado formalmente e passa a integrar a vida cultural da cidade. O projeto prevê a criação de um Centro de Convivência Cultural com programação permanente, realização de eventos institucionais e atividades abertas à população.

Para o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), a iniciativa reforça o papel do Legislativo na preservação da memória potiguar e na valorização do Centro Histórico de Natal. “Esse patrimônio é do povo, protegido pela história e agora está sob os cuidados da Assembleia Legislativa, que deve preservá-lo e dar a ele uma função viva, cultural e social”, afirmou.

A parceria institucional também foi destacada recentemente pelo presidente nacional do Iphan, Leandro Grass, que ressaltou o potencial cultural da iniciativa. Segundo ele, a cooperação entre os órgãos permite ampliar o uso público do espaço e fortalecer sua programação cultural. “A parceria do Iphan com a Assembleia permite que essa casa possa ser melhor gerida, cuidada e, principalmente, tenha uma programação mais intensa do ponto de vista cultural”, disse.

O superintendente do Iphan no Rio Grande do Norte, João Gentil, apontou que a cessão representa um avanço no enfrentamento ao abandono de imóveis históricos na área central da capital. “Essa parceria vem fortalecer o combate ao abandono de prédios históricos no Centro de Natal. É um trabalho inédito que a Assembleia Legislativa vem realizando. Com essa cessão, temos certeza de que esse patrimônio será muito bem cuidado e estará à disposição da cultura e da história do povo potiguar”, declarou.

A proposta é que o espaço funcione como ponto de convivência e de difusão cultural, integrando atividades voltadas à valorização da memória local, ações educativas e iniciativas que ampliem o acesso da população ao patrimônio histórico.

Revitalização da Cidade Alta

A implantação do Centro de Convivência Cultural na Casa do Padre João Maria faz parte de um conjunto de investimentos da Assembleia Legislativa do RN voltados à preservação arquitetônica e à revitalização do Centro Histórico de Natal. Nos últimos anos, o Legislativo estadual tem ampliado sua presença na região da Cidade Alta por meio da aquisição, recuperação e ocupação de imóveis históricos destinados a atividades institucionais e culturais.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse trabalho é o Memorial do Legislativo Potiguar, instalado no casarão que pertenceu ao ex-governador Augusto Tavares de Lyra. O imóvel foi restaurado e transformado em espaço de memória, reunindo documentos, exposições e registros da história política do Rio Grande do Norte.

Além do memorial, a Assembleia também adquiriu imóveis ao longo da Rua Vigário Bartolomeu, ampliando a estrutura administrativa da Casa. Parte desses espaços vai abrigar setores como a Diretoria de Gestão Tecnológica e Inovação e a sede da Rádio e da TV Assembleia.

Na Avenida Câmara Cascudo, outro conjunto de imóveis também integra o plano de reestruturação. No local será construído um anexo institucional, enquanto um sobrado antigo será restaurado. Os prédios ficam nos fundos do Memorial do Legislativo e formarão um complexo integrado de serviços administrativos e atendimento ao público.

De acordo com o diretor administrativo e financeiro da Assembleia Legislativa, Pedro Cascudo, as iniciativas têm múltiplos objetivos, que incluem a melhoria dos serviços prestados à população, a redução de despesas com aluguel de imóveis e a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade. Segundo ele, a presença institucional no Centro Histórico também contribui para manter a circulação de pessoas e estimular a ocupação urbana da área.

Outro espaço cultural que ficará sob gestão da Assembleia é o Museu Café Filho, conhecido como “Sobradinho” e dedicado à memória do potiguar que chegou à Presidência da República. O conjunto dessas ações forma uma estratégia de ocupação institucional que busca preservar a arquitetura histórica da região e, ao mesmo tempo, estimular o uso público desses espaços.

Curiosidade

Alvenaria de pedra e cal é uma técnica construtiva tradicional e sustentável, utilizando pedras naturais assentadas com argamassa de cal (e areia) para criar estruturas duráveis, flexíveis e respiráveis.

Comumente usada em muros e fundações, essa alvenaria de alto desempenho, comum em construções históricas, oferece vantagens como resistência, estética rústica e menor manutenção a longo prazo.

Fonte: AgoraRN



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