Saiba quais produtos o acordo Mercosul-UE promete baratear nas gôndolas brasileiras
A sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, entrou para a história da diplomacia econômica global. O Conselho Europeu, reunido em Bruxelas, deu o aval definitivo para o acordo de livre comércio com o Mercosul. Para o consumidor brasileiro, a notícia vai muito além das cifras macroeconômicas: o pacto sinaliza uma redução gradual, mas agressiva, nos preços de uma vasta gama de produtos importados da Europa, que vão desde itens da cesta básica e medicamentos até vinhos finos e automóveis.
A decisão foi consolidada durante a reunião do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), após uma ampla maioria dos países do bloco europeu se manifestar favoravelmente. O entendimento encerra um ciclo de negociações que se arrastava por 26 anos, sobrevivendo a diversas crises políticas e econômicas em ambos os lados do Atlântico.
O impacto direto no bolso do brasileiro
O Brasil é um grande consumidor de tecnologia e insumos europeus. Somente em 2025, o país importou US$ 50,290 bilhões do bloco, um crescimento de 6,4% em comparação ao ano anterior. Com o novo acordo, a tendência é que esse volume cresça à medida que as tarifas de importação comecem a cair.
A redução tarifária não será aplicada de uma só vez, mas o cronograma prevê que diversos itens cheguem à alíquota zero. No setor de alimentos e bebidas, produtos que hoje são considerados artigos de luxo devido à alta carga tributária devem se tornar mais acessíveis:
Vinhos: Atualmente taxados em 35%, terão a tarifa reduzida até zero.
Azeites de Oliva: A taxa de 10% será eliminada progressivamente.
Chocolates: Hoje com 20% de imposto, também caminham para a isenção total.
Bebidas Destiladas: Tarifas que chegam a 35% serão zeradas.
Além disso, produtos sensíveis para a saúde e a indústria também serão beneficiados. Itens farmacêuticos, máquinas industriais, equipamentos de alta tecnologia e veículos terão seus custos de entrada reduzidos, o que pode impactar positivamente a inflação e a produtividade nacional.
Cotas para produtos sensíveis
Para garantir que o mercado brasileiro não sofra desabastecimento ou desequilíbrios bruscos, o acordo estabeleceu cotas de importação com tarifa zero para produtos lácteos e infantis:
Queijos: Isenção total para uma cota de até 30 mil toneladas (hoje a tarifa é de 28%).
Leite em pó: Cota de 10 mil toneladas com imposto zerado.
Fórmulas infantis: Proteção e barateamento para uma cota de 5 mil toneladas (tarifa atual de 18%).
Resistência europeia e salvaguardas ambientalistas
Apesar do clima de celebração em Brasília e na sede da Comissão Europeia, o caminho não foi isento de espinhos. O bloco de oposição foi liderado pela França, acompanhada por Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria. O governo de Emmanuel Macron, pressionado por protestos de agricultores franceses, votou contra o pacto alegando “concorrência desleal” e falta de garantias ambientais por parte dos produtores sul-americanos.
Para mitigar esses temores, o texto final incluiu mecanismos de salvaguarda. Essas regras permitem que as preferências tarifárias sejam suspensas caso as importações causem danos severos a setores agrícolas sensíveis de qualquer um dos blocos.
Um gigante econômico de 720 milhões de pessoas
O acordo conecta o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) à União Europeia, criando uma das maiores zonas de livre comércio do planeta. Juntos, os blocos reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de mais de US$ 22 trilhões.
Pelas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o resultado, classificando-o como um “dia histórico para o multilateralismo”. Segundo Lula, o tratado é uma resposta clara ao aumento do protecionismo global, servindo como um motor para o crescimento econômico mútuo.
Próximos passos
A assinatura oficial do tratado está marcada para o próximo sábado, 17 de janeiro, no Paraguai, que atualmente exerce a presidência temporária do Mercosul. Após a assinatura, o texto ainda precisará passar pela ratificação dos parlamentos nacionais e do Parlamento Europeu para que as primeiras reduções tarifárias comecem a ser implementadas.
Fonte: Gazeta Brasil

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