RN tem 147 municípios em emergência pela seca; o que explica o baixo volume de chuva e qual a previsão para os próximos meses
No início deste mês, o Governo do Rio Grande do Norte publicou um decreto colocando 147 dos 167 municípios do estado em emergência pela seca. Ou seja, 88% do RN. O cenário é de preocupação. Das cidades listadas, 71 estão em situação de "seca grave", entre eles Caicó, Currais Novos, Caraúbas, Parelhas, Pau dos Ferros, São Miguel, Alexandria, Paraná; outros 36 estão na condição de “seca moderada”, e 40 em seca fraca.
Mas o baixo volume de precipitação no período chuvoso desse ano tem explicação. Os dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) indicam que a estação chuvosa de 2025 (janeiro a junho) ficou 16,1% abaixo do esperado, com maior grau de severidade nas mesorregiões Central (-24,5%) e Agreste (-20,4%).
"Essas chuvas abaixo do normal entre os meses de março e abril impactaram de forma definitiva na questão da seca neste ano. Por isso tivemos em decreto de emergência pela seca. As chuvas ficaram abaixo do normal nesse período porque tivemos uma mudança no Oceano Pacífico. As temperaturas das águas superficiais esquentaram e dificultaram a formação de chuva e o deslocamento da zona de convergência aqui para o Nordeste. Então, o Oceano Pacífico impactou de forma direta nas condições de chuvas", explicou o meteorologista Gilmar Bristot, chefe da unidade de meteorologia da Emparn.
A justificativa vai além e passa por outro fator ainda mais perto do estado. "E também as condições do Atlântico Sul não apresentaram uma situação favorável, pois as águas tiveram temperatura abaixo do normal, dificultando o transporte de umidade e a formação de chuvas. Tivemos dificuldades de chuvas nos dois principais meses", acrescentou.
Historicamente, o segundo semestre do ano sempre é seco, com pouca ou nenhuma chuva. Para este ano, o cenário segue o mesmo. "Para os próximos meses, a tendência é continuar com pouca chuva. Estamos no período seco. O segundo semestre sempre é seco. Você tem ventos mais fortes, tem dificuldade para formação de chuva, ausência de sistemas meteorológicos, aumento da temperatura, aumento da evaporação. Se você tem dificuldade no primeiro semestre, vai ter dificuldade no segundo. É o que estamos observando", pontuou.
A expectativa é que as primeiras chuvas comecem a aparecer nos últimos dias de 2025, no que se chama de pré-estação chuvosa. Contudo, para a próxima quadra chuvosa, já em 2026, a previsão ainda não está clara. "As primeiras chuvas devem acontecer durante os meses de dezembro e janeiro. Existe uma previsão de que a pré-estação chuvosa fique dentro da normalidade. Estamos analisando as condições do Atlântico e vamos ver o comportamento nos meses de outubro, novembro e dezembro para termos ideias de como as coisas acontecerão no período de chuva de fevereiro a maio de 2026", disse Bristot.
"Por enquanto, não temos previsão definitiva. As primeiras especulações é de condição dentro da normalidade. Estamos com a La Nina em execução, que será fraca e deverá permanecer até janeiro, fevereiro. Depois o pacífico deverá voltar ao normal", encerrou.
Reservas hídricas
De acordo com o Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), as reservas hídricas do estado acumulam 43,39% da capacidade total de armazenamento, com dados da última quinta-feira (9). As regiões com melhor situação hídrica são o Médio Oeste, com 60% da capacidade, e o Baixo Açu, com 52% da capacidade total. Já a região do Seridó apresenta o menor percentual de armazenamento, com apenas 15% da capacidade total.
Entre os principais reservatórios do estado, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior do Rio Grande do Norte, acumula 51,86% da sua capacidade total. A barragem Oiticica, que recebe as águas da Transposição do Rio São Francisco, registra 14,66% da sua capacidade total. Já o açude Santa Cruz do Apodi, terceiro maior do estado, está com 60,33% da sua capacidade.
Em termos percentuais, o RN possui quatro mananciais com volumes acima de 80% da capacidade: as lagoas do Jiqui (Parnamirim) e Pium (Nísia Floresta), ambas com 100%; a lagoa do Boqueirão, em Touros, com 93,16%; e a lagoa de Extremoz, com 85,22%.
Por outro lado, 13 reservatórios monitorados encontram-se com volumes inferiores a 10% da capacidade total. São eles:
Itans (Caicó) – 0,10%; Passagem das Traíras (São José do Seridó) – 0,03%; Sabugi (São João do Sabugi) – 3,13%; Esguicho (Ouro Branco) – 1,67%; Carnaúba (São João do Sabugi) – 4,05%; Japi II (São José do Campestre) – 7,26%; Gangorra (Rafael Fernandes) – 8,50%; Jesus Maria José (Tenente Ananias) – 0,99%; Tourão (Patu) – 4,70%; Brejo (Olho D’Água do Borges) – 1,68%; São Gonçalo (São Francisco do Oeste) – 7,79%; Mundo Novo (Caicó) – 1,69%; e Lulu Pinto (Luís Gomes) – 1,78%.
Fonte: Portal da Tropical

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