terça-feira, 21 de outubro de 2025

CIENTISTAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CRIAM EQUIPAMENTO PARA DETECTAR ETANOL EM EXCESSO NAS BEBIDAS ALCOÓLICAS

Pesquisadores da UFPE criam “nariz eletrônico” capaz de detectar metanol em bebidas alcoólicas

Tecnologia desenvolvida no Centro de Informática identifica adulterações com precisão de 98% e pode chegar ao mercado após novos testes

Em meio ao aumento de casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas, pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um equipamento capaz de identificar fraudes em bebidas alcoólicas. O chamado “nariz eletrônico” reconhece odores diferentes da composição original e detecta a presença de substâncias perigosas com apenas uma gota da amostra.

“O nariz eletrônico transforma aromas em dados. Esses dados alimentam a inteligência artificial que aprende a reconhecer a assinatura do cheiro de cada amostra”, explica o professor Leandro Almeida, responsável pelo projeto.

A tecnologia utiliza amostras de bebidas autênticas para calibrar o sistema, permitindo que ele aprenda a distinguir versões verdadeiras das adulteradas. A análise é feita em até 60 segundos e pode identificar tanto a presença de metanol quanto outras formas de adulteração, como diluição em água. De acordo com os pesquisadores, a taxa de precisão do equipamento é de 98%.

Tecnologia com múltiplos usos

Inicialmente, o projeto não foi desenvolvido para o setor de bebidas, mas sim para a indústria de petróleo e gás. “Na verdade, essa pesquisa começou há 10 anos para avaliar o odorizante do gás natural”, relata Almeida. O odorizante é o componente responsável pelo cheiro característico do gás de cozinha, usado para detectar vazamentos.

O pesquisador explica que o nariz eletrônico também pode ser utilizado em outros segmentos, como a indústria alimentícia e o setor hospitalar. O dispositivo pode identificar a qualidade de produtos e até detectar a presença de micro-organismos pelo odor.

“Você pode falar de, por exemplo, a qualidade de um café, a qualidade de um pescado, de uma carne vermelha, carne branca, peixe, pescados”, diz Leandro. Ele acrescenta que empresas do ramo alimentício já utilizam tecnologias semelhantes para avaliar a qualidade de óleos e outros insumos.

Próximos passos e aplicações comerciais

A equipe da UFPE estuda formas de levar a tecnologia ao setor de bares, restaurantes e adegas. Uma das propostas é instalar tótens com o equipamento, permitindo que clientes verifiquem a autenticidade das bebidas vendidas. Outra possibilidade é a produção de versões portáteis, que poderiam ser utilizadas por fabricantes para checar se seus produtos estão sendo revendidos corretamente.

Leandro Almeida revela que o grupo já trabalha em um modelo voltado diretamente ao consumidor final. “Nós já temos o desenho de uma canetinha para o cliente final. Para que ele mesmo consulte a sua bebida ou alimento”, afirma.

Até o momento, o nariz eletrônico foi testado apenas em laboratório. Antes de chegar ao mercado, será necessário submetê-lo a testes em ambientes reais. O investimento estimado para viabilizar a produção e comercialização é de cerca de R$ 10 milhões.

Fonte: Poti News



Nenhum comentário: