segunda-feira, 26 de maio de 2025

COM CRISES APARECENDO POR VÁRIOS SETORES DO GOVERNO CORTES NO ORÇAMENTO MAS ESTATAIS TRIPLICAM PATROCÍNIOS FEDERAIS

Estatais federais quase triplicam gastos com patrocínio sob governo Lula

As maiores estatais do país ampliaram fortemente os investimentos em patrocínios no atual governo. Juntas, Petrobras, Caixa, Banco do Brasil, Correios, BNDES e Banco do Nordeste chegaram perto da marca de R$ 1 bilhão em contratos assinados em 2024, segundo dados das próprias empresas.

O valor representa um salto de mais de 250% em relação ao ano anterior. Em 2023, o total de patrocínios foi de R$ 351,5 milhões, em valores corrigidos pela inflação. Em comparação com 2022, último ano do governo Bolsonaro, quando o gasto foi de R$ 275,8 milhões, o crescimento também é expressivo.

Apesar dos jogos olímpicos de Paris ajudarem a puxar a alta neste ano, o aumento aconteceu em diversas áreas, como cultura, eventos regionais e apoio institucional.

A Petrobras foi a estatal que mais aumentou o valor em termos absolutos: os patrocínios subiram de R$ 50,5 milhões, em 2023, para R$ 335 milhões em 2024.

Já os Correios registraram a maior variação percentual: saíram de R$ 3,5 milhões para R$ 33,8 milhões em contratos. Em 2022, último ano do governo anterior, o valor havia sido de apenas R$ 300 mil.

Mesmo com o aumento, a empresa enfrenta dificuldades financeiras. A presidência dos Correios foi cobrada pelo próprio presidente Lula a cortar R$ 1,5 bilhão em despesas.

A Caixa Econômica Federal, que já investe forte no esporte, também ampliou os patrocínios para festas tradicionais no Nordeste. Em 2023, foram cinco eventos com nomes ligados a festas juninas. Em 2024, esse número subiu para 21 eventos, com os valores passando de R$ 1,4 milhão para R$ 7,1 milhões.

O banco é atualmente comandado por Carlos Vieira, indicado com apoio de líderes do centrão e apadrinhado por políticos nordestinos.

Mesmo voltado para os nove estados do Nordeste e parte de Minas e Espírito Santo, o Banco do Nordeste passou a assinar contratos em outras regiões. A justificativa do banco é que os eventos têm caráter institucional e buscam atrair investimentos.

Governo diz que decisões são técnicas

A Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal afirmou que as decisões sobre patrocínios são feitas de forma autônoma pelas estatais, com base em estratégias de mercado e dentro da lei.

As empresas também afirmaram que os contratos são ferramentas de visibilidade, desenvolvimento social e posicionamento de marca — e que os aumentos seguem critérios técnicos.

Fonte: Folha de São Paulo


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