quinta-feira, 30 de novembro de 2023

NOVA TECNOLOGIA DESENVOLVIDA PELA UFRN E IFRN ACABA COM O BARULHO DO MOTOR NO DENTISTA

Um ruído a menos: nova tecnologia acaba com o barulhinho de motor no dentista

Entre os principais desconfortos causados aos pacientes que buscam atendimento em um consultório odontológico, está o barulho do ‘motorzinho’, como é conhecida popularmente a caneta odontológica ou caneta de baixa e alta rotação usada pelos dentistas em vários procedimentos. Pensando nisso, um grupo multidisciplinar de cientistas do Laboratório de novação em Saúde (LAIS) da UFRN, em parceria com o Núcleo Avançado de Inovação Tecnológica (Navi), do IFRN, desenvolveu uma Caneta à Plasma, um instrumento capaz de esterilizar cavidades e remover, sem causar dor ao paciente e de maneira silenciosa, cáries dentárias, preservando o tecido saudável.

Com características inéditas, a tecnologia recebeu, no último dia 14, o patenteamento definitivo pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), sob o nome “caneta multigás/multiregime à plasma desconexa do gerador para remoção de cáries dentárias”, ou seja, com a concessão da Carta Patente, o Inpi averiguou que o equipamento tem atividade inventiva, novidade e aplicabilidade industrial. Entusiastas do desenvolvimento da Caneta, os professores Custódio Leopoldino de Brito Guerra Neto e João Paulo Queiroz dos Santos, coordenador do Projeto Caneta Plasma, destacam que a tecnologia vem para resolver os problemas encontrados no processo da remoção da cárie dentária. Este processo é feito com equipamentos que causam vibração, pressão, ruído e dor, além de desconforto e estresse ao paciente. Por meio de parâmetros específicos, o uso do plasma é essencial para alcançar esse resultado.

Como efeito colateral, outro incômodo que deixa de existir é o da anestesia, também fonte de dor. Assim, a caneta split-flex à plasma é uma alternativa para a remoção de lesões dentárias cariosas cavitadas, com uma perda da integridade da superfície do esmalte, e sem comprometimento pulpar, situação que preserva a estrutura dentária hígida e o periodonto – parte da boca que envolve as raízes do dente, a gengiva e o osso. João Paulo acrescenta que o invento apresenta, de forma inovadora, um gerador de plasma e seu aplicador posicionados estrategicamente de maneira disjunta, o que também propicia uma melhor versatilidade e segurança do odontólogo e de seus pacientes. Daí vem o fato de o equipamento ser split, pois, literalmente, divide-se em um reator espacialmente disjunto e a caneta propriamente dita. Sendo assim, a “caneta split-flex” permite a operação do aplicador, estando largamente separado da fonte geradora de plasma e, assim, garantindo que a fonte geradora de plasma de alta voltagem fique sempre a uma distância segura mínima de até dois metros do dentista e do paciente.

A característica “flex” dela está no fato de poder comumente operar com diferentes tipos de gases, o que flexibiliza também o banho de pluma como indireto (modo padrão) ou direto (modo alternativo). Desta maneira, é possível atender aos casos específicos, em que o material dentário possa ser parcialmente utilizado como um segundo eletrodo. “Adicionalmente, o equipamento possibilita ajuste de energia de saída variável da fonte, entre 0% e 100%, sendo assim capaz de remover tecido cariado sem morte pulpar e, concomitantemente, esterilizar cavidades dentais”, explica João Paulo Queiroz.

Como desvantagem dessa técnica, observa-se que quanto menor a duração do pulso, mais localizada será a distribuição de calor e, por conseguinte, durações mais longas distribuirão energia em níveis mais profundos dos tecidos dentários, causando danos térmicos indesejáveis, como a morte pulpar. “Já em outras invenções, observamos que não há reivindicação sobre a remoção de cáries, e sim apenas sobre a melhora das resistências das restaurações que preenchem cavidades de cáries já removidas”, assinala. Além dele, outros 19 pesquisadores participaram do desenvolvimento da tecnologia e dos protótipos. A lista completa está disponível no site da Agência de Inovação da UFRN, www.agir.ufrn.br.

Fonte: Ascom AGIR/UFRN


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