Cemitério de Zurique vai ter sepulturas queer
É natural que muita gente prefira ter o próprio túmulo nas proximidades de seus entes queridos – o que é válido também para pessoas LGBTIQ. Em breve, isso será viável em Zurique, onde está sendo criado o setor queer em um cemitério. Os responsáveis não veem a iniciativa como um ato de isolamento.
Ao adentrar o cemitério de Sihlfeld, em Zurique, o visitante se depara com uma densa alameda. Tudo o que ali se ouve é o farfalhar dos galhos balançando ao vento e o gorjeio dos pássaros. Por um momento, é possível esquecer que se está no coração ruidoso da cidade.
Em um pequeno canto do maior cemitério público de Zurique, que se estende por uma área de 280 mil metros quadrados, será criado um cemitério para pessoas LGBTIQ.
O projeto "Regenbogen-Ruhe" (Descanso Arco-íris) foi iniciado em fevereiro do ano passado por diversas organizações queer, a fim de oferecer à comunidade LGBTIQ um lugar para o descanso após a morte.
O primeiro do gênero na Suíça
Trata-se do primeiro campo de sepulturas na Suíça criado especialmente para pessoas LGBTIQ.
No passado recente, já se tornou possível o enterro de casais homoafetivos em um único jazigo familiar. Emilie LieberherrLink externo (1924-2011), por exemplo, uma conhecida política de Zurique, que se empenhou muito pelos direitos das mulheres, foi enterrada no mesmo jazigo que sua companheira Minnie, com a qual viveu por mais de 70 anos.
Ainda é raro, contudo, que sejam vistos os nomes de duas mulheres ou de dois homens em jazigos familiares, comenta Bettina Burkhardt, membro do grupo " Descanso Arco-íris". Ela representa a Organização de Lésbicas da Suíça (LOS, na sigla original) e faz parte das gerações dos nascidos entre 1945 e 1964. "Nossa geração e as outras antes da nossa cresceram em um ambiente muito conservador, no qual a homossexualidade era, como se sabe, um tabu. Muitas pessoas homossexuais não eram aceitas por suas famílias ou eram até mesmo excluídas", diz Burkhardt.
Neste contexto, essas pessoas acabam ou acabavam contando mesmo é com o apoio da comunidade queer, aponta Burkhardt. "Vamos envelhecendo lado a lado e outras questões vêm à tona. A morte se aproxima e já tivemos que nos despedir de alguns amigos próximos. Por isso foi surgindo a necessidade de ter um lugar onde seja possível velar os entes queridos. As pessoas querem descansar da mesma forma que viveram", completa.
Disponível para todas as pessoas
A cidade de Zurique oferece diversos tipos de jazigos. Há, por exemplo, um campo de sepulturas, onde estão enterradas pessoas que querem descansar ao lado de seus animais domésticos. Ou o campo "Rebstock", de túmulos temáticos, onde há terraços com prado escasso, sebes cortadas de teixo e bétulas suspensas. O terreno para pessoas LGBIQ fica ao lado desses túmulos temáticos.
Embora o nome "Arco-Íris" já indique, o campo de sepulturas não está, em princípio, disponível apenas para a comunidade LGBTIQ. Pois, embora o principal decreto cantonal preveja que os municípios possam criar jazigos específicos para o sepultamento de membros de uma determinada comunidade religiosa, não há nenhuma previsão de reserva de túmulos especiais para outros grupos de interesse.
"Nosso foco é ter um 'local seguro' para as pessoas queer. Mas qualquer um pode alugar um túmulo aqui. Está aberto para quem quiser", diz Burkhardt.
O campo de sepulturas "Arco-Íris" oferece, de início, 30 lugares, embora possa ser ampliado para mais de 100.
Fonte: swissinfo

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