sexta-feira, 26 de junho de 2026

DESCONFORTO: SENADOR STYVENSON VALENTIM DIZ ESTAR 'RETRAÍDO' COM CANDIDATURA DE FLÁVIO BOLSONARO

Styvenson mantém apoio, mas diz que está ‘retraído’ com Flávio após caso Master

Parlamentar mantém apoio ao senador do PL, mas admite desconforto com desdobramentos do escândalo do Banco Master e cita preocupação de colegas no Senado

O senador Styvenson Valentim (Podemos) afirmou nesta terça-feira, 23, que está “um pouco retraído” em relação ao apoio já anunciado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República em 2026. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal das 6, da 96 FM Natal, ao comentar os desdobramentos do escândalo do Banco Master e seus efeitos sobre o Senado, ministérios e o ambiente político nacional.

A fala marca uma mudança de tom em relação ao posicionamento adotado em março, quando Styvenson declarou apoio público à pré-candidatura de Flávio durante evento do PL em Parnamirim, na Grande Natal. Na ocasião, chamou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro de “meu candidato a presidente” e se alinhou de forma aberta ao projeto nacional do bolsonarismo.

Na entrevista desta terça-feira, porém, evitou repetir a defesa enfática. Questionado sobre a disputa presidencial, disse que mantém a referência ao apoio já anunciado, mas reconheceu desconforto com a evolução das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

“Olha, eu anunciei o apoio ao Flávio, mas eu estou um pouco retraído pelas condições que a gente está acompanhando. Não vou mentir para vocês que esse escândalo do Banco Master atinge pelo menos uma boa parte do Senado, de ministérios. Se você for ver, tem muita gente.”

O caso Master tornou-se um dos principais focos de desgaste político em Brasília. A investigação, iniciada no sistema financeiro, passou a alcançar nomes de diferentes campos partidários e também provocou tensão no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de diligências envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo no Senado.

Antes disso, em maio, o site The Intercept Brasil revelou conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Nas mensagens, o senador pede recursos ao banqueiro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Styvenson disse que há senadores preocupados com o avanço das apurações. Segundo ele, o tema foi tratado em conversa recente com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em encontro que também contou com a presença do senador Plínio Valério (PSDB-AM.

“Ele chamou tanto eu como o senador Plínio Valério para conversar no STF. Tem muita gente que eu acho que está sem dormir, está muito preocupado.”

O senador evitou detalhar o que tem ouvido nos bastidores. Ao ser perguntado sobre o assunto, preferiu não avançar.

“Não posso falar.”

Ao mesmo tempo, procurou se afastar de qualquer relação pessoal ou política com Daniel Vorcaro e com o círculo investigado. Negou ter frequentado festas, utilizado aeronaves particulares, recebido benefícios ou mantido vínculo com o grupo ligado ao banqueiro.

“A única coisa certa é que eu não estou envolvido. Não fui para a festa de suruba de Vorcaro, não tomei whisky caro, não andei de avião, não pedi dinheiro emprestado, não fumei charuto, não tenho amizade com essa galera.”

Posteriormente, ao ser questionado se já havia utilizado avião particular durante o mandato, corrigiu a declaração inicial. Disse que costuma viajar em voos comerciais, mas lembrou de uma carona em aeronave privada durante agenda da CPI das ONGs, em deslocamento para Mato Grosso.

“Eu não preciso mentir. Eu andei de avião, sim, mas não era da FAB, não. Era o avião do Jayme Campos.”

Styvenson também afirmou que assinou pedidos de investigação relacionados ao caso.

“Assinei a CPMI do Banco Master, assinei do INSS. Assinei mesmo sabendo que tem um monte de gente envolvida. Ninguém nunca me pediu para tirar a assinatura.”

Fonte: AgoraRN



Nenhum comentário: