Lula dispensa lista tríplice e compra briga com associação na escolha do novo chefe da PGR
A seis meses do término do mandato de Augusto Aras à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reiterado que não irá seguir a lista tríplice na escolha do próximo procurador-geral, puxando a corda que tem na outra ponta a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).
Por trás da desistência desse método de escolha, estão críticas de Lula à Lava Jato. Na terça-feira (21/3), em entrevista à TV 247, Lula ressaltou mais uma vez que vai quebrar a tradição de seus governos anteriores na indicação e criticou a Força Tarefa de Curitiba por ter, na visão dele, prejudicado a imagem do Ministério Público Federal (MPF). “Quase destruíram a imagem da seriedade do Ministério Público. Um bando de moleque irresponsáveis”, disse.
“Acho que a gente tem que olhar a Lava Jato de uma forma cada vez mais profissional. Vamos ver o que funcionou, coisas que deram certo e as que não deram, como a questão da competência, para que a gente não repita os erros do passado”, disse ele. “Não faz sentido essa correlação de um caso com a escolha do procurador-geral da República”, emendou.
A lista tríplice é adotada em todos os Ministérios Públicos e passou a ser tradição na escolha do chefe do MPF a partir de 2003, no primeiro governo Lula. Porém, em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou Aras, um dos 23 subprocuradores-gerais da República, cujo nome não constava da lista elaborada pela associação.
No entanto, quem rompe a “tradição” foi Michel Temer (MDB), que, em 2017, escolheu Raquel Dodge, a segunda colocada da lista tríplice, como nova PGR. O primeiro da lista havia sido Nicolao Dino, então vice-procurador geral eleitoral.
Durante seu mandato no MPF, Aras foi criticado por suposto alinhamento ao Planalto e leniência em relação a investigações contra o então mandatário.
A cada fala de Lula e integrantes do governo contra a lista, a ANPR tem reforçado sua posição por meio da divulgação de comunicados à imprensa. Na última quarta-feira (22/3), por exemplo, a nota da associação dizia o seguinte:
“Ao tratar a definição do PGR como uma escolha pessoal, o presidente da República abre mão da transparência necessária ao processo e se desvincula da preocupação com a autonomia da instituição e com a independência do PGR”.
A entidade tenta marcar uma reunião com o presidente Lula antes da elaboração da lista, que deverá ser concluída em junho, após votação interna. A ideia é defender o modelo, sem ainda ter a definição dos nomes. No entanto, ainda não há sinalização de agendamento por parte do Palácio do Planalto.
Fonte: Site Metrópoles

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