terça-feira, 9 de junho de 2026

BANQUEIRO BANDIDO DANIEL VORCARO SENTE A PRESSÃO E COLOCA NOMES DOS TRÊS PODERES EM MAIS UMA 'NOVA' COLABORAÇÃO PREMIADA

Daniel Vorcaro cede à pressão e inclui nomes dos Três Poderes em nova proposta de delação

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou uma nova proposta de colaboração premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. O movimento ocorreu depois que a primeira versão foi rejeitada por conter omissões consideradas graves pelos investigadores. A nova proposta, segundo fontes, traz referências a agentes políticos e autoridades dos Três Poderes.

Nos últimos dias, Vorcaro teve sua rotina na prisão alterada. Após a recusa da primeira delação, ele foi transferido da sala de Estado-Maior — onde tinha certas regalias — para uma cela comum na Superintendência da PF. Mais tarde, o ministro André Mendonça, do STF, determinou seu retorno ao espaço reservado, que possui banheiro individual e permite a presença de advogados.

Nova versão tem mais detalhes e anexos

De acordo com integrantes da PF, a segunda proposta é mais robusta. O documento contém mais nomes, datas, informações complementares e anexos que não existiam na primeira versão. Investigadores também afirmam que o texto menciona autoridades influentes nos Três Poderes.

A primeira delação foi classificada pelos investigadores como “fraca e seletiva”. A PF entendeu que Vorcaro omitiu informações relevantes, especialmente sobre pessoas que já haviam sido identificadas por meio de aparelhos eletrônicos apreendidos. O ex-banqueiro teria tentado poupar ou proteger nomes – de figuras políticas a familiares.

Omissão sobre pagamentos a senador

Entre os pontos mais criticados estava a falta de detalhes sobre supostos repasses mensais de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP). A investigação aponta que o parlamentar teria atuado em favor do Banco Master no Senado. Na proposta rejeitada, Vorcaro mencionou Ciro apenas como “amigo”, sem descrever a relação.

As apurações também indicam que Ciro e sua esposa fizeram uma viagem de luxo aos Alpes franceses no início de 2025, bancada por Vorcaro, com custo estimado em quase R$ 2 milhões. O senador nega as acusações.

Admissão de crimes é condição para acordo

A PF insiste que Vorcaro precisa admitir a prática de crimes para que um acordo de delação seja possível. Em pré-depoimentos, ele negou ter participado ou articulado ilegalidades – postura que inviabilizou a primeira tentativa de colaboração.

A defesa do ex-banqueiro quer homologar a delação e, depois, pedir a conversão da prisão preventiva para o regime domiciliar.

Próximos passos

Agora, PF e PGR avaliam se as novas informações são inéditas e relevantes o suficiente para abrir a fase formal de negociação. Se os órgãos aprovarem, Vorcaro prestará novos depoimentos e as informações serão verificadas. Somente então um acordo poderá ser firmado, dependendo ainda da aprovação do ministro André Mendonça e da homologação pelo STF.

A PF também estuda pedir a inclusão de Vorcaro e de seus próximos na Difusão Prateada da Interpol – mecanismo para rastrear bens, imóveis e ativos financeiros mantidos por investigados no exterior. O objetivo é localizar patrimônio de origem ilícita.

Fonte: O Globo



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