sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL FLÁVIO DINO NA BATALHA CONTRA OS PENDURICALHOS NO SERVIÇO PÚBLICO

Flávio Dino proíbe criação de novas leis para pagar salários acima do teto no serviço público

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (19) a proibição da criação de novas gratificações, adicionais ou qualquer parcela remuneratória e indenizatória que ultrapassem o teto constitucional, os chamados “penduricalhos”. A decisão também impede o reconhecimento de novos direitos a pagamentos retroativos que excedam o limite salarial.

A medida mantém o prazo de 60 dias para que todos os órgãos públicos divulguem, com transparência, a relação detalhada das verbas pagas acima do salário-base, incluindo a legislação que fundamenta cada parcela. Segundo Dino, essa prática gera distorções remuneratórias e compromete a uniformidade da aplicação do teto previsto na Constituição.

A decisão ocorre enquanto tramita no Congresso Nacional um projeto que visa definir objetivamente quais valores podem ser classificados como verbas indenizatórias, e, portanto, não estariam sujeitos ao teto constitucional.

O despacho do ministro foi assinado um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar o reajuste salarial de servidores do Congresso Nacional e do Tribunal de Contas da União, com veto a dispositivos que permitiam pagamentos acima do limite legal.

“Não é razoável que a Corte tenha de julgar, individualmente, milhares de casos envolvendo os chamados ‘penduricalhos’ criados sem base legal clara”, afirmou Dino.

A decisão é monocrática e será submetida ao plenário virtual do STF, em sessão prevista para 25 de fevereiro, que deverá consolidar o entendimento sobre a legalidade de mecanismos remuneratórios utilizados para contornar o teto no funcionalismo público.

Dino reforçou que a determinação vale para edição de novos atos normativos pelos Poderes ou órgãos constitucionalmente autônomos e que, caso o Congresso não se manifeste, caberá exclusivamente ao STF examinar a fixação de regime transitório.

O ministro também destacou pronunciamentos parlamentares recentes que indicam a disposição do Congresso de editar uma lei nacional regulamentando as verbas indenizatórias. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que a decisão de Dino “foi feliz”.

No início de fevereiro, Dino já havia determinado que os Três Poderes revisem e suspendam “penduricalhos” ilegais no serviço público, reforçando a necessidade de transparência e conformidade com o teto constitucional.

Fonte: Gazeta Brasil



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